O embalo da rede: Quando começa o desenvolvimento da criança?

Texto por: Pablo Martins Carneiro, Diego Barrios e Marianna Mialski

No dia em que se soube, já estava a figurar nas remotas inscrições simbólicas daqueles que ouviram a notícia. Rita está grávida! Grávida, grávida… Ali, naquele momento, repleto do muito antes cultural e do tanto futuro desejoso, iniciou-se o desenvolvimento de uma criança.

A barriga, agora alvo dos olhares, sonhos, medos, projeções, desejos de união e solidão, se tornou linguagem comum a todos. E o estatuto de mãe obrigou Rita e se reinventar como tal. Foi duro, lindo, feio, maravilhoso, incandescente, real, simbólico e imaginário. Havia agora ela-mãe, ele-namorado-pai, mãe-avó, pai-avô, eu-mulher, eles-homens, barriga-bebê, tudo e todos ao mesmo tempo, bordando uma história de dentro para fora daquela barriga.

Sozinha no quarto, em frente ao espelho, ouvindo música, nas conversas com o namorado-pai, nos sermões da mãe-avó, no silêncio-barulhento do pai-avô, na leitura de livros infantis, Rita acolheu em si o quantum do desenvolvimento. E foi exatamente envolvida nessa colcha simbólica que nasceu Luísa. Esperada e falada por todos e todas, com sua história pré-contada.

Luísa existia onde não estava e estava onde não existia. E ali, aquele montinho de fome, sono e reflexos primordiais, foi acolhida pelo Outro primordial, que seguiria nutrindo-a das primeira marcas de humanidade. Rita, de olhos marejados de lágrimas, olhou para Luísa e viu que era recebida por um sorriso. Daquele dia em diante, capturado pela romântica semântica da linguagem de Rita, aquele esticar de músculo se tornou sorriso, sustentado pelo desejo da mãe e o amor da filha.

Assim, dia após dia, muitos assumiram a função de atribuir significado às expressões de Luísa, ao mesmo tempo que pressupunham e lançavam ao futuro seus desejos de desenvolvimento. Luísa, por sua vez, se fundia a uns, se diferenciava de outros e se descobria sujeito. Houve dor, houve presença, houve falta. Houve.

Quando uma criança nasce, ela presentifica um desejo anterior. As expectativas criadas a partir do filho imaginado começam a se tornar palpáveis e reais. A relação de Rita com Luísa foi iniciada nos primórdios de sua própria vida, em brincadeiras com bonecas e outros faz de contas. Tudo o que viveu até o momento do nascimento da sua pequena, carrega de significado as infinitas possibilidades desse encontro, tudo o que a relação pode estabelecer.

Para que uma criança se desenvolva, precisa estar enlaçada pelo desejo, pela suposição de sua capacidade, pelo lançamento de possibilidades de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, necessita de um Outro que reconheça e sustente suas conquistas, numa captura significante que atribui significado a elas. A aprendizagem reconhecida e valorizada pelo grande Outro, se posiciona numa rede significante e pulsional que a impulsiona e sustenta como parte do repertório simbólico da criança. Em contrapartida, o estímulo em direção a qualquer ensinamento por parte dos adultos, se dá pelo anseio de que a criança aprenda, derivado da pressuposição de que é capaz de aprendê-lo.

Na ausência de um Outro primordial que suponha e estimule o desenvolvimento e a constituição de um sujeito, nada encontra lugar para florescer. O desejo do Outro tem seu lugar em viabilizar o desenvolvimento. Para isso, é preciso que o outro esteja. Esteja presente. Esteja envolvido. Esteja disponível.

Em nossa inquietante conversa com a professora Zulema Garcia Yañes, fonoaudióloga, psicomotricista e Diretoria do Centro Lydia Coriat de Porto Alegre, pudemos discutir importantes implicações de tais conceitos psicanalíticos para o campo da Educação e, assim, pensar no delicado lugar do adulto nos processos de desenvolvimento infantil. Uma dessas implicações diz respeito à postura ética do educador diante da relação com a criança. Explicamos melhor.

Assim como a mãe e o pai, ou aqueles e aquelas que assumem tais funções, o educador convida a criança ao mundo, cria expectativas de seu aprendizado, supõe o que ela, enquanto alteridade, pode e deve saber. Por outro lado, desejamos, como educadores e educadora, que as crianças nos acompanhem em nossas viagens, que participem do mundo simbólico que criamos e trazemos para a sala de aula em nossas falas, intervenções, planejamentos e brincadeiras.

Portanto, a postura ética se observa uma vez que o educador acredita na criança, é capaz de fazer essa suposição sobre o desenvolvimento do seu aluno e assume uma postura desejante em relação a esse processo de desenvolvimento. Tal ímpeto atua como um abraço, um colo simbólico em que a criança encontra espaço para sua expressão autêntica.

Para concluir, trazemos uma frase colocada por Zulema que nos inspira a construir uma educação pautada na ética da relação com o outro. Diz ela: Para que uma criança esteja atenta ao mundo, o adulto precisa estar atento a ela. Busquemos estar atentos às nossas crianças, praticando o respeito por sua originalidade e buscando criar as condições para que elas cresçam confiantes de ser quem são.

Diário de Bordo

“MEMÓRIAS E REFLEXÕES SOBRE O VIVIDO, PENSADO E SENTIDO”
Texto por: Alice Vieira (Ciclo 4A vesp.), Gabriel Fernandes (Ciclo 1 mat.) e Nazaré Picanço (Ciclo 4B vesp.).

Na assembleia geral da Vivendo do dia 22 de novembro de 2017, foi decidida, por meio de votação, a reestruturação dos mecanismos avaliativos das crianças e turmas e a periodicidade dos relatórios individuais. Um dos dispositivos avaliativos que adquiriram novos contornos, diante dessa nova frequência dos relatórios individuais, foi o Diário de Bordo

A Vivendo e Aprendendo, em toda sua trajetória de trabalho psicopedagógico, sempre utilizou os Diários de Bordo como ferramenta de registro, reflexão e inspiração para a criação de projetos e construção das devolutivas sobre o desenvolvimento das crianças nos diversos aspectos (socioafetivo, cognitivo e psicomotor).

Nesse ano de 2018, sistematizaremos e ampliaremos os diários como instrumentos avaliativos de extrema importância para enriquecer os conteúdos dos atendimentos às famílias e dos relatórios.

Durante a semana pedagógica, no período de 22 a 26 de janeiro de 2018, a equipe se reuniu para uma discussão sobre os Diários de Bordo, seus possíveis formatos e objetivos esperados. Para auxiliar nossa organização e entendimento sobre esse dispositivo avaliativo, respondemos perguntas norteadoras que inspiraram nossas reflexões. Sobre o exercício do registro no diário, nos questionamos: O que registrar? Como e onde? Quando? – Discussão importantíssima para nossa construção coletiva dentro da equipe pedagógica, e que possibilitará a construção também junto com as famílias, enriquecendo nosso trabalho horizontal, dentro da Associação.

A partir do texto “DIÁRIO DE BORDO: algumas reflexões no oceano da educação” de Alexandra Rodrigues houve o consenso de que essa ferramenta pedagógica é um grande auxílio para nossa prática cotidiana. Revisitar as nossas vivências com as turmas, nos possibilita exercitar o nosso olhar e escuta para os processos de desenvolvimento das crianças e práticas docentes. Os diários de bordo nos dão uma perspectiva processual do diálogo das atividades desenvolvidas com as Áreas do Conhecimento e o Mapa do Saber.

O exercício do registro e da reflexão é essencial para o trabalho do educador e da educadora, que exige presença e sensibilidade para compreender as nuances da dinâmica da coletividade dos ciclos e da individualidade de cada criança, dentro das vivências propostas pelos princípios filosóficos da Vivendo e Aprendendo.

O formato dos diários pode ser diversificado, contendo apontamentos, textos, esquemas, fotos, vídeos, poemas, desenhos, entre outros, desde que forneça uma base sólida para acessar os eixos curriculares, os elementos do desenvolvimento infantil e os momentos valiosos vividos por cada grupo e criança, bem como refletir e reinventar novas formas de educar!

No mais, continuemos escrevendo com amor e nos permitindo criar livremente, buscando estar integralmente presentes e afinados com as linguagens de nossos corações.

Alexandra Rodrigues: Quem é?

Alexandra foi mãe-associada da Vivendo e Aprendendo e hoje é uma grande colaboradora em nossas construções pedagógicas.

Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (2003), hoje é professora adjunta da UnB, atuando nos seguintes temas: escrita e subjetividade, memória educativa e formação docente, educação a distância, oficina da palavra, cultura da infância e experiências educacionais inovadoras.

Informações coletadas do Lattes em 27/11/2017

Letramento e Alfabetização: A busca pela construção de sentido

Texto por: Adriana Pereira (Ciclo 3 mat.), Rilda Gomes (Ciclo 3 vesp.) e Pablo Carneiro (Coord. Pedagógico)

Desde os primórdios da humanidade, é notado o desejo de se comunicar e retratar a forma de apreender o mundo, as pinturas rupestres e a escrita pictográfica trazem por meio da imagem esse “relato” da organização social daquele momento. Ambas não representam um código escrito, mas cumprem com o desejo humano de se comunicar. Os hieróglifos do Egito Antigo relatam a importância dada por aquela sociedade à vida após a morte e a necessidade de registrar seus ritos e, ainda hoje, desafiam estudiosos na busca de entendimento do seu significado. É um percurso de milhares de anos nessa procura de aperfeiçoamento da forma de se comunicar, temos hoje formas universais: os códigos escritos.

Quando observamos o desenvolvimento da escrita na criança, percebemos processos semelhantes ao percurso da humanidade, ou seja, desde o nascimento ela se comunica por meios de gestos, sons (balbucios), o olhar, fala e, posteriormente, pelo desenho. Rabiscos e garatujas vão se transformando em desenhos com formas menos abstratas. As crianças passam a ser capazes de reproduzir o mundo a sua volta e demonstrar sentimentos e interesses por meio de suas criações. A escrita surge mediante uma ampliação do desejo de se comunicar, por meio de um código convencional da sociedade, a qual está inserida.

As crianças da Vivendo estão incluídas numa sociedade letrada, com informações escritas em livros, gibis, jornais, revistas… Contudo, a escrita enquanto linguagem, não se dá sozinha, ela é repleta de significantes e significados, para que se compreendam desde sua função social, até a “rigidez” do código escrito. Isto é, há um percurso para que a escrita e a leitura sejam compreendidas como forma de se comunicar com o mundo.

No processo de letramento e alfabetização da Vivendo, há um olhar cuidadoso para o percurso cognitivo das crianças, que busca compreender as possibilidades de interação, criação, problematização e apropriação do mundo letrado. Por isso, nos Ciclos 1 e 2, a escrita do nome não propõe um modelo à ser reproduzido por elas, faz parte do processo de reconhecimento da identidade de cada uma delas. O nome, especialmente para as crianças pequenas, é um elemento que as levam a se diferenciarem do outro. Um exemplo é quando trazem novidades e as mostram na roda, usando seus nomes e não os pronomes possessivos: “Esse carro é do Caetano”, disse ele sobre seu objeto.

Uma celebração de qualquer educador e educadora no Ciclo 1 é ver as crianças começando a se chamar pelo nome, pois para nós isso é sinal de que a socialização entre elas está acontecendo, que a sala de aula é um espaço frutífero de construção de vínculos. As crianças presenciam constantemente seus/as educadores/as fazendo registros, convivem com a escrita cotidiana de seus nomes, em diversos suportes para artes, na escolha da culinária… E, por mais que ainda não associem inicialmente seu nome àquele código, o significado começa a ser atribuído.

Esse processo faz parte do letramento, a busca de construção de sentidos, criticidade e compreensão da função social da escrita. Por volta do Ciclo 3, as crianças descobrem que o sinal gráfico na escrita de seu nome não muda e são capazes de reconhecer esse registro. Elas mesmas começam a se interessar em reproduzir essa escrita, por ser uma marca identitária.

A perspectiva teórica da Psicogênese da Língua Escrita nos propõe uma investigação sobre o momento em que os educandos encontram-se em relação à escrita, para, a partir disso, propormos vivências e desafios de acordo com suas hipóteses, estimulando-os em sua investigação. Motivar a criança a ler o que escreveu, também a incentiva a pensar sobre sua escrita. Outra oportunidade interessante, é quando o educador indaga sobre como a criança identificou tal palavra, por exemplo: “Que nome é esse?” E mostra a ficha de nome escrito ALICE. A criança responde: “ALICE”. E o educador pergunta: “Porque você acha que é ALICE? A resposta da criança é: “Por que inicia com “A” e termina com “E”.

Isso mostra que a criança construiu uma hipótese sobre a constituição da escrita e a posição das letras em seu nome. Segundo Ana Teberosky e Isabel Solé, no texto “O Ensino e a Aprendizagem da Alfabetização: uma Perspectiva Psicológica (2002), as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 a 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial.

O acesso as letras se torna significativo quando relacionado às vivências e interesses das crianças, sendo apresentadas, respeitando o momento de cada criança, sua identidade e faixa etária, nunca desvinculada de sua função social: que é comunicar algo. Assim, a criança percebe que as letras são usadas para transmitir uma mensagem. Aos poucos, a medida que vão transitando por esse universo letrado, elas vão percebendo que existem “leis” que regem as convenções da escrita, propondo novos conflitos as suas hipóteses.

Por volta dos Ciclo 4 e 5, quando as crianças percebem a relação entre letra e som, e a compreensão da regra se amplia, é comum ouvirmos das crianças: “Não sei escrever!”, “Quero escrever do jeito certo.” Ou, “Não escrevi certo, como escrevo?” Nesse momento, é importante que estejamos ao lado das crianças, sensíveis às suas necessidades emocionais, sustentando os tênues limites de suas incertezas, impulsionando-as em suas hipóteses, desafiando novos saberes e valorizando suas conquistas. Menos preocupados com o código linguístico, mas com proporcionar uma atmosfera acolhedora e instigante, que convide as crianças a “viajarem” pelo vasto universo das expressões e representações. Na Vivendo e Aprendendo, buscamos valorizar as construções das crianças, dizendo que podem escrever do seu jeito. Tudo isso acontece para que sejam respeitadas e acolhidas em seus processos, mas sem deixar de estimular e buscar meios criativos de construir novas aprendizagens.

A descoberta da natureza fonológica do sistema linguístico, a relação fonema/grafema, impulsionam registros muito interessantes e cobertos da identidade de cada criança. Por exemplo: “EIT” (LEITE); “OAT” (TOMATE); “OTEA” (HORTELÃ); “AEIE” (ALECRIM); “OAGO” (MORANGO); “OO” (COPO).  Emília Ferreiro e Ana Teberosky classificam esse momento de hipótese silábica, na tentativa de atribuir valor sonoro a cada fonema pronunciado. Posteriormente, as crianças percebem que uma letra não é suficiente para reproduzir o som daquela sílaba e vão explorando novas percepções, consoantes e vogais, encontros consonantais, algumas regras ortográficas, pois sabem que as palavras nem sempre são escritas como soam.

Um caso interessante de uma criança de ciclo 5, foi com a escrita da palavra AÇAÍ, que ela escreveu com S, mas quando trouxe o alimento, viu na embalagem que estava escrito com Ç. A mesma perguntou por quê e começamos a apresentar algumas regras gramaticais e assim tornamos nossa sala de aula um ambiente alfabetizador e profundamente viabilizador de novos conhecimentos.

O papel do /a educador /a no processo de desenvolvimento das crianças, não apenas no letramento e alfabetização, é de quem investiga, investe, instiga, cria, apresenta, acolhe e avalia. Esse é um caminho cíclico, que tem em si uma postura ética e comprometida com a infância, desde os saberes simbólicos aos concretos, não atribuindo hierarquia entre eles. Assim, brincar de faz de conta e escrever um texto, devem ter o mesmo investimento e valor na infância.

Edital para reserva de estagiárias/os (encerrado)

Olá pessoal,

A Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de reservas para estagiárias e estagiários – edição 2017.

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 28 de maio de 2017 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

ATUALIZADO: o edital foi encerrado!

Edital para reserva de professoras/es (encerrado)

Olá pessoal,

Edital para cadastro de reserva para professoras/es edição 2017

A Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de professores (as) e professores-substitutos (as) para 2017.

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 28 de maio de 2017 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

ATUALIZADO: o edital foi encerrado!

edital professor reserva 2017

Uma instituição transformadora

Matéria publicada por Leonardo Carneiro no Correio Braziliense em 25/04/2017
Fotos por: Pedrinho Fonseca
Link original da matéria: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_educacaobasica/2017/04/25/ensino_educacaobasica_interna,591202/programa-global-reconhece-vivendo-e-aprendendo-como-escola-transformad.shtml

A Associação cooperativa de ensino agora integra uma rede global com mais de 270 escolas transformadoras em todos os continentes. No Brasil, ela se une a outras 17 escolas e é primeira de ensino infantil a ser reconhecida.

Leonardo Carneiro

A Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo entrou, desde o início de abril, na lista de instituições de ensino reconhecidas pelo Programa Escolas Transformadoras. É o primeiro estabelecimento de ensino de Brasília a se juntar a outras 17 escolas no Brasil, incluído no programa que conecta mais de 270 colégios em todos os continentes. O programa é uma iniciativa em âmbito global da organização de inovação social Ashoka e, no Brasil, o programa é realizado em parceria com o Instituto Alana, ONG que atua em defesa da infância. O principal objetivo dessa conexão é guiar a comunidade educacional brasileira para um novo olhar sobre a educação e identificar experiências de escolas comprometidas em formar jovens transformadores.

Surgida como uma associação cooperativa privada de ensino, a Vivendo e Aprendendo é hoje referência no ensino infantil de Brasília, e a primeira de educação infantil a ser reconhecida como uma escola transformadora. A associação apresenta uma proposta pedagógica baseada no pressuposto de uma educação democrática, em que se valoriza o protagonismo de cada pessoa que faz parte do coletivo, incluindo alunos, pais e funcionários. Todos são essenciais nas decisões e na gestão da associação. A cooperativa de ensino olha para o desenvolvimento integral da criança. É o que explica o coordenador pedagógico Pablo Carneiro: “nossa associação não tem dono, todas as questões financeiras, estruturais etc. são feitas por todos os integrantes, desde o profissional da limpeza, até as próprias crianças e famílias. Nossa educação é voltada para o desenvolvimento do indivíduo como pessoa e todos têm voz nas questões que lhes rodeiam”.
Leonardo Carneiro

A instituição do DF, para ser selecionada, teve que ser avaliada segundo alguns critérios que a definam como um ambiente de transformação social. O currículo da instituição deve ser voltado para o desenvolvimento integral dos indivíduos, além de considerar a sustentabilidade e apresentar estratégias para a produção de conhecimento e cultura. O ambiente físico deve proporcionar a exploração e a convivência com as diferenças e as instituições devem estimular estratégias pedagógicas que reconheçam o estudante como protagonista da própria aprendizagem. Além disso, as ações devem envolver a comunidade.

A Vivendo e Aprendendo foi o primeiro colégio de ensino infantil a se enquadrar nessas características e lançou o reconhecimento de escolas dessa etapa da educação básica para o programa. O coordenador Pablo conta que ele e os demais coordenadores do instituto passaram por um processo de avaliação para serem aceitos no programa. “Nós passamos por várias etapas de seleção. Uma delas foi um encontro e troca de experiências com uma escola comunitária do interior da Paraíba e uma escola pública de Manaus. A última etapa foi um painel de entrevistas. Fomos entrevistados por vários especialistas em educação”, conta.

Leonardo Carneiro

Um dos maiores diferenciais da Vivendo e Aprendendo, segundo colaboradores, é a resposta das crianças ao método de educação aplicado. “Às vezes, tenho que brigar com as minhas filhas porque elas não querem sair da escola. Isso é um valor porque os alunos se sentem felizes”, ressalta o arquiteto Fábio Rolin, 43 anos, pai das alunas Bruna e Marina. Esse diferencial tem reflexos também na vida pessoal das crianças, que se sentem mais conscientes de si e do mundo que as envolvem. A servidora pública Ana Vitória Piaggio, 38, mãe de Elis, reforça a afirmação: “a proposta é a criança se conhecer, olhar para dentro, e também olhar para o outro.” De acordo com a mãe, “O objetivo é formar pessoas preocupadas em transformar o mundo com a liberdade de serem quem elas realmente são. Como consequência, essa transformação atinge também as famílias. Aprendemos muito”, diz.

A Associação Ashoka é uma organização social global, formada por mais de 3 mil empreendedores sociais em 84 países. Fundada em 1981, tem o objetivo de colaborar com a construção de um mundo em que todos são agentes transformadores. A ideia é formar uma sociedade em que qualquer pessoa possa desenvolver e aplicar as habilidades necessárias para solucionar os principais problemas sociais que hoje enfrentamos.

Leonardo Carneiro

O programa Escolas Transformadoras funciona como uma rede de institutos de ensino, unidos pelo objetivo de se transformarem para transformar, apesar dos desafios e dificuldades encontrados no caminho. Dificuldades essas que servem para impulsionar a mudança da escola na sociedade e no mundo. O programa tem, ao total, 18 centros de ensino reconhecidas no Brasil que vão, coletivamente, se engajando para provocar transformações sociais mais sistêmicas. As instituições não recebem recursos diretamente, porém são feitos investimento indiretos para oferecer oportunidades de conexão a elas e dar a elas condições de espalhar esse conhecimento pelas comunidades.

Nesse caminho, os colégios são conectadas à rede e têm contato com especialistas do setor de educação, com empreendedores sociais e interagem entre si. Além de participarem de rodas públicas de debate, de conversas e outras formas de comunicação. A assessora pedagógica do Instituto Alana, Raquel Franzim, conta que “o instituto defende a escola como um espaço de transformação e liberdade, como está previsto na Constituição.” Ela aponta que, apesar das críticas, “Nós, com a Ashoka, compramos essa briga, pois não concordamos com esse entendimento conservador de que escola é um ambiente apartado da vida da criança e de que os pais são os únicos responsáveis pela educação delas”, afirma.

Em conjunto com outros pesquisadores, Raquel Franzim esteve na Vivendo e Aprendendo para observar a rotina da escola e verificar se ela se adequava aos parâmetros do programa. “A Vivendo e Aprendendo tem um perfil muito especial. Os educadores, por exemplo, são de formações muito diversas e não são somente professores ou pedagogos. Profissionais como cineastas, artistas, psicólogos e antropólogos, têm contribuições importantes para oferecer à formação das crianças”, relata a assessora do instituto Alana.

Edital para professores (encerrado)

Olá pessoal,

 

Edital para seleção de professores/as 2017

 

A Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de professores (as) e professores-substitutos (as) para 2017.

 

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 14 de novembro de 2016 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

 

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.