É dia de feira

Postado em 29/01/2017 no Correio Brasiliense – Por Gláucia Chaves

O pequeno agricultor cultiva sua produção respeitando o tempo que o alimento precisa para amadurecer. O escoamento dos produtos é feito de forma muito mais modesta que os grandes planos logísticos adotados por grandes redes de varejo: muitas vezes, as verduras, frutas e legumes são levados às feiras e restaurantes pelos próprios agricultores. Como os alimentos não têm nenhuma química, duram o tempo que têm que durar, ou seja, não aguentam longos períodos de viagem ou muito tempo parados nas prateleiras. Tudo isso dificulta a vida do agricultor familiar, como explica Renê Birochi, um dos coordenadores da Arca do Gosto: “É preciso garantir que sejam construídos canais sustentáveis para que o agricultor familiar consiga estimar quanto vai produzir e quanto disso será vendido”.

O agricultor familiar precisa estimar um preço justo, suficiente para sustentá-lo até a próxima safra. Atualmente, ainda de acordo com Birochi, o que acaba acontecendo é que as grandes redes de varejo abocanham quase todo o mercado de alimentos. Por isso, o projeto exalta a criação de espaços próprios para a venda de orgânicos, em extinção ou não. Mas e as feirinhas orgânicas, que hoje brotam mais que chuchu na cerca? “Hoje em dia, o mercado de orgânicos está em franco crescimento, mas está reproduzindo a mesma lógica de concentração de poder econômico para grandes varejistas”, analisa Renê Birochi. “Continua a mesma relação assimétrica de desequilíbrio em relação ao agricultor familiar. Não adianta ter um produto livre de agrotóxicos, mas que continua remunerando mal o agricultor.”

Nesse sentido, as CSAs (comunidades que sustentam o agricultor) são muito importantes. A ideia delas é estabelecer uma relação de confiança entre os agricultores e os coagricultores, termo usado para definir quem faz parte da iniciativa. Funciona assim: o agricultor apresenta todas as informações sobre seus custos de produção. O valor é dividido em cotas mensais, pagas pelos coagricultores, que passam a ser financiadores daquele agricultor. Em troca, os participantes recebem uma cesta com os itens produzidos. Assim, tudo o que for colhido já estará pago e vendido, descartando a necessidade de atravessadores.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte. A psicóloga revela que a iniciativa conta com mais de 20 coagricultores. Além de ajudar a financiar a produção de alimentos comprovadamente sem agrotóxicos, Daniela acredita que a CSA é uma maneira de sensibilizar as crianças para a questão ambiental. “Fazemos visitas aos locais de produção com as crianças, que têm a oportunidade de ver como é o plantio, colher e entender a sazonalidade dos alimentos”, descreve.

Para participar, é preciso ser indicado por um membro da CSA. O interessado assina um termo de compromisso e recebe uma cesta semanal, com dez a 12 itens, entre folhagens, verduras, legumes e frutas. “O legal é que você começa a consumir alimentos que antes não conhecia”, completa. Daniela diz que começou a se aprofundar no assunto com o objetivo de esclarecer as filhas, de 4 e 8 anos de idade. Informar-se sobre a origem do alimento, o valor do orgânico e entender sobre economia circular e colaborativa foram os passos seguintes. “Na nossa comunidade, além de nos preocuparmos em saber que os agricultores estão bem para fornecer um alimento bom, também ficamos preocupados com as trocas”, comenta. As trocas funcionam entre os membros de maneira simples: se há algo sobrando na sua cesta e faltando na do outro, os participantes fazem o escambo.

A interação entre os coagricultores e agricultores é outra vantagem do processo. Todos se chamam de família. “Esse movimento social colaborativo integra as pessoas. Isso foi o que me encantou desde o começo”, descreve Daniela. “A preocupação começa dentro de casa, mas quando você vê o alcance disso, acha que o seu é muito pouco. Sua vida muda, porque você começa a se alimentar melhor, mas você passa a ver a vida dos seus amigos mudar, dos agricultores e também a do planeta.”

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA. O interesse por produção de comida vem de anos, assim como a noção das vantagens dos circuitos curtos de produção e distribuição de alimentos. A taxa de R$ 298,08 também é satisfatória: antes, Antoine gastava cerca de R$ 400 por mês em alimentos orgânicos para ele, a esposa e a filha. “Se for comprar orgânicos no supermercado, você vai pagar mais que o dobro disso”, compara.
O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

Além da distância física entre agricultores e consumidores, Antoine ressalta que o CSA ajudou a diminuir a distância emocional entre as pessoas. “Conheci os agricultores, fui à casa deles, conheci o processo inteiro”, comenta. Mas é preciso ter em mente que a natureza tem seu próprio tempo: a cesta só vem com o que está na época. Esse detalhe, contudo, não incomoda nem um pouco Antoine. “Tem períodos que não tem tomate, mas sei que eles virão em dois, três meses. Acho que a pessoa tem que se virar para comer bem e o melhor jeito é esse, não tenho dúvidas.”

Banco de Receitas

A Comissão de Bem Estar da Vivendo e Aprendendo vem construindo e buscando escolhas saudáveis para uma alimentação consciente.

Em março de 2016, a Comissão pediu sugestões de receitas para a associação e, com a participação de várias pessoas, foi montado nosso Banco de Receitas, que já tem várias receitas bacanas para as famílias, crianças e educadores botarem a mão na massa.

Com o nosso jeitinho, o banco está disponível no link abaixo. Acessem o arquivo, contem-nos se gostaram e mandem mais receitas! A CBE está sempre buscando novidades.

Obrigada e abraços,
Comissão de Bem-Estar

Banco de Receitas

Banco de Receitas

Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

Falemos agora sobre o projeto pedagógico “Floresta, Lendas e Mitos”. Desenvolvido com a turminha do Ciclo 5 Matutino e com as educadoras Nazaré Picanço e Lia Lucas. Boa leitura!

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Introdução

No Mutirão do Parque, as crianças do ciclo 5 receberam uma missão do coordenador pedagógico: virar “guardiões da floresta Vivendo e Aprendendo”, cuidando das mudas recém-plantadas na associação. As crianças rapidamente se envolveram com a ideia e passaram a defender aquelas novas vidas. Desde o primeiro mês de aula, a turma estava muito envolvida nas aventuras e histórias contadas em sala, o que nos fez pensar em um projeto que unisse esses interesses. A partir de então, a floresta virou o palco no qual realizamos as construções sobre as lendas, mitos e identidade.

Objetivos

  • Possibilitar o desenvolvimento de suas identidades e afetividades;
  • Formar indivíduos autônomos, respeitadores, admiradores do conhecimento e conscientes da importância de sua participação no mundo;
  • Ampliar as visões das crianças sobre o mundo natural e social;
  • Trabalhar as diversas áreas do conhecimento por meio do interesse lúdico;
  • Proporcionar espaços de auto-expressão, ligados às memórias afetivas das crianças;
  • Ultrapassar as fronteiras da floresta da Vivendo, ampliando a percepção sobre a imensidão das florestas brasileiras.
Projeto pedagógico Floresta, Lendas e Mitos

Projeto pedagógico Floresta, Lendas e Mitos

Desenvolvimento

Começamos o projeto com o processo de adaptação e de construção do grupo. Em seguida, passamos a fazer ligações entre as áreas de conhecimento e o lúdico. Enviamos cartas ao Curupira, compartilhando o dever de cuidar das florestas. A partir daí, culinárias (como o dia do açaí), faz-de-contas de índios e de animais da floresta foram se tornando atividades corriqueiras e positivas. Tudo passou a fazer sentido para elas, interligando natureza, preservação e cultura indígena entre si, com a consciência da importância do cuidar. A turma passou a alertar as professoras sobre outras crianças que estariam “matando a natureza”. Logo, elas mesmas passaram a mediar essas situações. As crianças de nossa sala também deixaram de arrancar folhas e bater nas árvores, passando a cuida-las.

A última fase do nosso projeto foi desenvolver atividades referentes a conhecimentos sobre a floresta Amazônica, destacando as sociedades indígenas e as relações destas com a mata. A floresta é o lugar em que se guarda a memoria daquela sociedade (tal como a Vivendo é para a memoria do nosso grupo). O pai de uma das crianças nos ajudou construindo o mapa do Brasil e da Amazônia, com os territórios indígenas, estados e alguns rios do país.

Neste momento, também aproveitamos a oportunidade de conhecer o Laboratório de Línguas Indígenas (LALI-UNB). Nele pudemos conhecer a Susi, que mostrou para as crianças objetos indígenas e documentários. O contato com Susi também ajudou a desconstruir estereótipos. Quando Lia afirmou que ela era índia, as crianças se entreolharam e disseram: “Mas ela está aqui, e não na floresta”. Nós então afirmamos: “Mas os traços do rosto, a cor da pele, o cabelo continuam com ela, mesmo morando aqui. Sabem o que é mais importante? É ela dizer que é uma índia. Porque, se ela acha que é índia, é porque ela adora ser assim”.

Por fim, fechamos o projeto com uma exposição dos trabalhos das crianças e apresentação de um teatro ao ar livre, juntando, assim, as historias de mitos e lendas com o faz de conta.

Conclusão

Primeiramente, ficamos muito contentes com o processo, o desenvolvimento e os resultados práticos e reflexivos do projeto “Floresta, Lendas e Mitos”. Isso também se devendo à ampla participação das famílias. Sentimos que, grande parte dessa alegria se deu pelo fato de valorizarmos, sentirmos e impulsionarmos a participação diária das crianças na construção do projeto. Da mesma forma, vemos que isso somente foi possível por que tivemos sensibilidade em colocar o centro de interesse do grupo como motor das atividades e, assim, relacionamos elas às áreas do conhecimento.

Percebemos que, a partir do momento em que começamos a trabalhar o cuidado com a natureza – conscientizar as crianças sobre sua responsabilidade com o mundo, os resultados foram logo aparecendo: o cuidado que as crianças começaram a ter pelas árvores da Vivendo, bem como os insetos, impulsionaram que elas se mobilizarem a alertar todas nossas crianças para a necessidade de ter carinho com a natureza.

No entanto, sentimos que algumas atividades que propomos no projeto não foram realizadas. Isso nos mostra o quanto o processo não se baseia tanto em nossas ideias e desejos, como educadoras. Podemos ver isso, então, como lembrete constante em nosso fazer educativo: saber que o processo das crianças é essência do nosso trabalho, não sendo isso secundário em nenhum momento.

Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

Desta vez o projeto pedagógico trata o tema” Laboratório de Comunicação“. Desenvolvido com a turminha do Ciclo 4 Matutino e os educadores Leila Saraiva, Heloá Escalante e Yuri Barbosa. Boa leitura!

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Introdução

Projeto Pedagógico "Laboratório de Comunicação"

Projeto Pedagógico “Laboratório de Comunicação”

A partir de uma criação musical com as crianças do ciclo 4, decidimos fazer um trabalho mais amplo de autoria, a da discussão do que é comunicação e o direito a esta. O grupo havia passado por  várias mudanças ao longo do ano e tinha dificuldade em se escutar e inclusive em respeitar o direito de cada criança ter sua opinião, mesmo que divergente.

Nossos objetivos com o projeto então foram:

  • Trabalhar o direito à comunicação enquanto direito fundamental, trazendo o conceito para o cotidiano das crianças;
  • Incentivar a expressão de crianças;
  • Estimular a organização do grupo;
  • Utilizar a pesquisa enquanto instrumento cotidiano na sala rosa;
  • Dar continuidade ao trabalho de letramento e alfabetização;
  • Incentivar a expressão e autoria das crianças;
  • Construir uma apropriação das tecnologias por parte das crianças.

Explorando os meios de comunicação na sala rosa

Começamos apresentando o blog enquanto ferramenta comunicativa: todo mundo pode vê-lo se tiver o endereço! Dá para falar com gente que mora longe e que a gente tem saudade. Dá para ver os comentários das famílias sobre o que estamos fazendo! O computador passou a ficar disponível diariamente para que as crianças vissem e publicassem no blog. Quando passamos a produzir nossa rádio, também mesclamos as duas ferramentas, publicando nossas músicas favoritas no blog. Quando pensamos em começar a gravar nosso programa, a primeira pergunta que nos surgiu foi: será que essas crianças escutam rádio? Então trouxemos para nossa roda um aparelho de rádio e passamos de estação em estação. Comentamos com as crianças quem já havia ouvido rádio e a maioria delas nos disse que já havia escutado no carro. Até que uma delas falou: “rádio é chato, porque não tem nada de criança.”

Foi nossa deixa para mostrarmos o programa criado pelo projeto “Cala Boca Já morreu!”, feito por e para crianças. Que engraçado ouvir vozes de crianças ao invés das habituais vozes adultas!, “Ele tem o mesmo nome que eu!”, “eles tão falando sobre tatu bola!”. E então era possível uma rádio de criança. Experimentamos o microfone de diversas formas: com palco, sem palco. Nos gravamos coletivamente e nos escutamos. Montamos a cabine, para garantir que todos/as se sentiriam a vontade para gravar.

Em seguida trouxemos para a roda o jornal, dos mais diversos formatos. Vimos juntos suas possibilidades e conversamos sobre o que cada um/a queria escrever: histórias de guerra, desenhos, colunas de esporte. Também brincamos com os jornais, e então o meio de comunicação se transformou em armadura, em megafone, em espada.

Outra linguagem que perpassou o projeto foi a fotografia. Desde o início ela esteve presente, com as crianças irando foto do que as interessava e fazendo suas publicações comentadas. Através daquelas lentes nós tivemos acesso aos olhares das crianças sobre o mundo: elas fazem pose uma para outra, nos apresentam novos ângulos.

Por fim, chegamos a linguagem mais conhecida pelas crianças, a audiovisual. Para trabalha-la, conhecemos visitando um estúdio de TV de verdade, a UnBtv! Foi emocionante conhecer por dentro como se faz uma televisão, apesar do desespero que causamos em alguns funcionários do local. Na visita, as crianças puderam ver uma sala de gravação de TV e também a ilha de edição e de programação, sabendo mais dos bastidores desse meio de comunicação.

Conclusão

O projeto de comunicação, embora rápido, provocou uma maior organização do grupo e incentivou que as crianças falassem e se escutassem melhor. Além disso, também percebemos que contribuiu para que as crianças se reconhecessem enquanto autoras, enxergando o potencial de comunicadoras que tem no mundo.

A exploração dos diversos meios de comunicação também possibilitou uma visão crítica do mundo e das informações que nos chegam a toda hora. As crianças entraram em contato com o outro lado da notícia e entenderam seu processo de produção. De nossa parte, foi fundamental (re) conhecermos tudo aquilo que os/as pequenos/as tem a dizer, muitas vezes sem instrumentos e ouvidos para isso.

Projeto Pedagógico "Laboratório de Comunicação"

Projeto Pedagógico “Laboratório de Comunicação”

Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

O projeto pedagógico desenvolvido em 2014, desta vez, trata o tema” O Lobo e seus amigos de aventura“. Desenvolvido com a turminha do Ciclo 2 Matutino e os educadores Letícia Ferreira, Luísa Baiocchi e Jônatas Cocentino.

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Projeto pedagógico "O Lobo e seus amigos de aventura"

Projeto pedagógico “O Lobo e seus amigos de aventura”

Introdução

Desde o início do semestre, percebemos um grande interesse da turma pelos contos de fada, especificamente das histórias com lobos. Nessas semanas, quando o interesse da turma estava fervendo, recebemos uma visita muito especial que impulsionou nosso projeto: o Lobo Musical. Nosso objetivo geral com esse projeto foi construir um universo lúdico, compartilhado por todos/as, com representações de papéis, caracterização de espaços da Vivendo, onde refletiremos sobre os antagonismos presentes no nosso cotidiano e nos contos de fadas. A partir disso, explorar as áreas de conhecimento: corpo e movimento, música, arte, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade e matemática.

Desenvolvimento

Num primeiro momento, observamos o interesse do grupo, a partir das brincadeiras das crianças. Nessas brincadeiras e histórias, alguns estereótipos apareceram entre as crianças em um processo normal de generalizarem percepções a cerca do outro por uma ação específica. Por meio do projeto, ajudamos as crianças a se expressarem sobre o que não gostaram de forma específica, problematizando os antagonismos bom/mau, amigo/não amigo, bravo/tranquilo. Foi uma reelaboração de suas identidades e da percepção do/a outro/a.

Demos continuidade ao projeto enfocando a expressão artística. Através das várias técnicas e materiais diferentes, as crianças puderam se expressar, produzir coletivamente e individualmente, desenvolver vários olhares sobre o mundo, desenvolver a coordenação motora fina e o grafismo.

As brincadeiras cênicas também foram fundamentais. Destacamos o teatro de sombra.

Na fase seguinte, realizamos pesquisas sobre os lobos na natureza, principalmente os brasileiros. Além da participação das famílias nessas investigações, as crianças também puderam vivenciar os hábitos alimentares do lobo. Ao final dessa atividade, as crianças comentaram: “O lobo mau só estava com fome”.

Por fim, construímos a casa dos porquinhos na Vivendo, juntamente com as crianças e suas famílias. Nesse processo de descobertas e explorações, com a ajuda do Lúcio e do Madruga e das famílias, construímos a casa do porquinhos, criando estratégias de trabalho coletivo e favorecendo os processos cooperativos entre as crianças.

Conclusão

Não imaginávamos o projeto nos daria tantos frutos e que seria tão significativo para as crianças. Depois do projeto, passamos a conhecer vários espécies de lobo. Vimos que, como nós, às vezes eles também ficavam bravos e com raiva. Em relação a esses sentimentos que por vezes viram tabus, nosso trabalho foi dialogar sobre eles e assim ajudar as crianças a extravasa-los de uma forma saudável.

Por fim, deixamos de presente para a nossa associação um lugar de possibilidade de encontro.

Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

Desta vez o projeto desenvolvido em 2014 aborda o tema” Os Animais“. Realizado com a turminha do Ciclo 2 Vespertino e com os educadores Lays Caroline e Gabriel Barbosa.

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Introdução

Um livro chamou a atenção das crianças da sala amarela: “O Livro dos animais”. Observando essa movimentação e o interesse em específico pelos bichos perigosos, optamos por começar a trabalhar com eles os animais pequenos e peçonhentos. Começamos pela aranha já que as crianças optavam por ler, com frequência, um livro sobre elas.

A vida das formigas e aranhas foi pesquisada

A vida das formigas e aranhas foi pesquisada

Nosso intuito com o projeto foi estimular a pesquisa, o levantamento de hipóteses e o compartilhamento de ideias. Criamos uma sequência de momentos e atividades para nortear a pesquisa. Esse sequência envolvia:

  • Identificar as características desses animais;
  • Promover conversas sobre as características dos animais;
  • Promover atividades de pesquisa que estimulem trabalho conjunto com as famílias;
  • Trabalhar, através dos jogos, os hábitos dos animais;
  • Trazer atividades que trabalhem corpo e movimento inspirados nos movimentos do animal escolhido;
  • Promover atividades de produção plástica inspiradas nos hábitos e no habitat do animal escolhido;
  • Promover atividades que necessitem do esforço conjunto do grupo para sua realização;
  • Ao final de uma etapa, escolher com o grupo uma forma de registro do que foi estudado naquele período.

Desenvolvimento

Conversas, vídeos, livros e até animais de verdade passaram a ser parte da nossa rotina.

Começamos pelas aranhas, com suas oito patas e suas quelíceras. O faz-de-conta dominou nosso dia-a-dia e nos transformamos em aranhas. Transformamos também os jogos com regras e passamos a brincar de “Aranha saí da teia”. Exploramos, também, muitos materiais diferentes, como tentar fazer uma teia grudenta com cola e barbante.

Através da exploração do espaço, percebemos que alguns animais nos acompanhavam diariamente: as formigas. Entramos então, na segunda espécie. Aproveitamos para explorar o trabalho coletivo, e as “profissões” das formigas, sem as quais um formigueiro não funcionaria. Fomos construindo o formigueiro da sala amarela. Mas, como as crianças bem lembraram, faltava uma coisa para o formigueiro ficar completo: a gente se transformar em formiga! Exploramos novos materiais e atividades para que essa transformação ocorresse.

Trabalhamos o veneno da aranha como seu sistema de defesa, o coletivo das formigas como forma de sobrevivência e, avaliando o interesse das crianças, começamos a pesquisar as cigarras. Pudemos trabalhar a questão musical, a sonoridade própria desses animais. Percebemos que as cigarras tinham asas e confeccionamos um par para cada um de nós, para brincar de voar.

Terminamos de pesquisar sobre as cigarras já quase no fim do ano e fomos visitar o laboratório de aracnídeos da UnB. Antes do passeio, tiramos uma semana para trabalhar o cuidado com espaços delicados, fizemos o circuito de laboratório e brincamos de cientistas. Durante o passeio, observamos que as crianças estavam atentas e curiosas. Muitas aceitaram pegar a aranha caraguejeira na mão e ainda fomos convidados a conhecer uma cobra de cinco metros. Encerramos o projeto vivenciando essa experiência do biólogo, que estuda os animais.

Conclusão

Muitas crianças se interessaram por procurar animais e informações sobre os animais fora do espaço da associação, sempre trazendo para o grupo as novas descobertas.

A visita ao laboratório foi emocionante para crianças e educadores. Observamos um grupo curioso, que já sabia muitas coisas sobre o tema. Pudemos ver, também, o cuidado das crianças ao se aproximar dos animais e a preocupação com as formigas e cigarras da Vivendo e Aprendendo. Construímos nossas hipóteses, trocamos ideias e descobrimos que também somos animais. Entendemos que, muitas vezes, os animais pequenos tem veneno picam para se defender, não porque querem fazer o mal para outros.

A vida das formigas e aranhas foi pesquisada

A vida das formigas e aranhas foi pesquisada

Acreditamos que o Projeto dos Animais foi uma experiência envolvente para as crianças, pelo interesse que elas demonstraram em sala e em suas casas. Debater, descobrir, vivenciar e transformar nossa rotina de acordo com os hábitos dos animais estimulou a oralidade, o trabalho coletivo, o questionamento, a expressão corporal dentre vários outros aspectos que o grupo do Ciclo 2 demandava.

Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

Mais um projeto pedagógico desenvolvido em 2014 e desta vez apresentamos o projeto Profissões. Este trabalho foi realizado com a turminha do Ciclo 3B Matutino e com as educadoras Kênia e Nathalia. Divirtam-se.

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Projeto Pedagógico - Profissões

Projeto Pedagógico – Profissões

Introdução

Em muitas situações, quando crianças choram e não querem deixar os pais irem embora, damos a explicação de que eles e elas precisam ir trabalhar, e para nós adultos, essa é uma explicação satisfatória, porém, nunca paramos para nos perguntar qual o sentido disso para as crianças. Será que elas entendem esse conceito de trabalho? Será que elas sabem no que o pai ou a mãe trabalha? Essas eram perguntas feitas frequentemente em momentos de conversa mais descontraída entre as crianças. E então suas hipóteses iam surgindo sobre o assunto. A partir desse interesse, demos início ao nosso projeto.

A descoberta das profissões

Nosso primeiro passo foi aproximar essa realidade das crianças, colocando de forma palpável o trabalho dos pais. Escrevemos uma carta que perguntava onde era o trabalho dos pais e mães e então, marcamos cada um no mapa, tornando concretas as informações recebidas. Também perguntamos na carta qual a profissão de cada um e o que ele/ela fazia lá. E conversamos sobre as respostas, lemos todas as cartas e falamos sobre cada um que estava presente.

Em seguida chamamos os pais e mães para dentro da sala verde, deixando que eles/as mesmos explicassem o que faziam em seus empregos. Foram rodas maravilhosas, pois além de explicar as profissões, têm aproximados os pais de todas as crianças da turma.

Ainda dentro do projeto, fizemos faz- de – conta de biólogo, acunpunturista e diplomata; registramos os direitos da criança da sala verde; construímos um esquema com os nomes dos pais e mães, assim como de suas profissões. Enfim, os desdobramentos das rodas foram os mais diversos e com os mais variados objetivos. A partir dessas consequências conseguimos trabalhar a criatividade, a motricidade fina, a cooperação, o letramento e os posicionamentos no tempo e no espaço.

Para finalizar a exploração pelo universo das profissões, sentimos a necessidade de colocar as crianças em posições mais protagonistas dentro do projeto. Assim, as crianças puderam criar as profissões que elas achavam que o mundo precisava. Nesse processo, as ideias foram as mais variadas. Instigamos as crianças a pensarem quais as roupas que seriam usadas, em que lugar trabalhariam, quais instrumentos precisariam, se a profissão contaria com ajudantes, etc. Enquanto uns construíam suas ideias no momento da fala, outros davam sugestões e problematizavam questões (“Onde você vai arrumar tanta água?” “Você vai dar conta de fazer isso sozinho?”).

O projeto foi finalizado com as crianças se colocando na posição que viram os pais e mães ocuparem durante semanas: a de mostrar para a sala verde o que a profissão que inventaram. Para isso, reunimos as famílias em roda e pedimos para que as crianças falassem sobre a profissão que inventaram. Alguns vestidos com as roupas que produziram, outros no colo do pai ou da mãe, outros pedindo ajuda para os(as)amigos(as), falaram sobre o que era feito nas profissões, quais os instrumentos eram necessários, etc.

Projeto Pedagógico - Profissões

Projeto Pedagógico – Profissões

Conclusão

O projeto foi muito enriquecedor para todos/as nós. Embora algumas vezes tivéssemos a impressão de que as crianças não estavam aprendendo inteiramente o que queríamos transmitir, logo tornou-se perceptível que cada criança saía da roda com alguma provocação, que foge aos olhares do adulto, e que contribui para a sua percepção de mundo.

Também foi possível entrar em contato com um dos diferenciais da Vivendo: a possibilidade de aproximação das famílias ao contexto pedagógico. O fato de o projeto estar centrado no que os pais e mães fazem em seu trabalho foi também uma concretização de que o conhecimento que vem da vida cotidiana pode ensinar muito.

Construir uma profissão nova foi um processo criativo importante para as crianças, visto que elas puderam usar a imaginação para pensar na totalidade da profissão (onde o trabalho acontecerá; se terá uniforme ou não, se precisará de ajuda de alguém, se outras profissões poderão contribuir para o trabalho) foi desafiador e instigante.