Manifesto da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo

Brasília, 25 de outubro de 2018

Manifesto da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo sobre as eleições presidenciais de 2018

“Longe se vai sonhando demais” 

Vivendo e Aprendendo surgiu de um sonho. Um grupo de pais e educadores, que em 1982, resolveu criar uma associação educativa para proporcionar às crianças pequenas uma educação diferente. Baseada no brincar, na curiosidade infantil, na aprendizagem construída coletivamente, a escola, desde então, se reconstrói a cada dia, sempre pautada pelo diálogo, pelo afeto, pelo respeito às diferenças e ao outro, pela vivência democrática. Aqui nos olhamos nos olhos, nos abraçamos, rolamos no chão com nossas crianças, proporcionamos experiências, construímos combinados, definimos limites, promovemos reflexões. E é a partir dessa experiência de 36 anos de diálogo, de brincadeiras, de alegria e de formação de cidadãos que nos posicionamos agora, pois entendemos que a educação é mais ampla que a própria escola.

Por acreditar no diálogo democrático e respeitoso com qualquer pessoa, decidimos em Assembleia Geral Extraordinária nos manifestar em relação ao momento que estamos vivendo no Brasil. O que está em jogo são dois projetos de país, de sociedade e de nação diametralmente opostos.

De um lado temos um professor que valoriza a infância, o afeto, o respeito às diferenças e às opiniões divergentes, a solidariedade, a defesa dos direitos fundamentais das minorias frente a maiorias, a convivência fraterna, a diversidade de formas de viver e de estar no mundo.

Do outro lado encontramos propostas que incluem a omissão do Estado com o cuidado de crianças pequenas, a educação baseada em obediência e hierarquias de viés autoritário, a aniquilação do respeito à pluralidade das diferenças em prol de um pensamento único e de uma única forma de viver, disfarçada sob o véu da neutralidade ideológica, a privatização do ensino público, a desigualdade entre homens e mulheres no mundo do trabalho e no espaço doméstico e a incitação à violência e ao ódio.

No campo específico da educação, o candidato Bolsonaro defende que o ensino fundamental seja realizado à distância, desconhecendo a importância do encontro com o outro, a riqueza da sociabilidade e o papel de educadores/educadoras no processo educativo/formador, sem contar as consequências concretas para as famílias. Além disso, “expurgar a ideologia de Paulo Freire” (p.46 do Plano de Governo) é exaltar a opressão e o “eu-ensino-você-aprende”, negar a potencialidade do aluno como educador.

Independente dos motivos que nos levaram até o presente momento, é aqui que estamos e daqui precisamos seguir. Nada temos a temer ao abraçar o que acreditamos! Nossos valores nos fazem contrários a toda forma de discriminação e negação do outro: machismo, racismo, homofobia, LGBTfobia, exclusão de deficientes, violência. Nos posicionamos, pois, da seguinte forma:

Democracia ao invés de autoritarismo
Diálogo ao invés de obediência
Empatia e afeto ao invés de ódio
Amizade ao invés de ataque ao diferente
Diálogo ao invés de ordens
Aprender brincando ao invés de uma educação conteudista e hierarquizada

É por tudo isso que, enquanto associação educativa, nesse momento optamos por nos posicionar publicamente em apoio à candidatura que melhor representa o país que queremos construir com e para nossas crianças, e com clareza e esperança indicamos o voto no PROFESSOR FERNANDO HADDAD.

Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Paulo Freire

DIÁRIO DE BORDO: algumas reflexões no oceano da educação

Texto por: Maria Alexandra Militão Rodrigues

O diário de bordo ou “diário de itinerância”, como foi denominado pelo pesquisador francês René Barbier (2007), é compreendido por este autor como um registro da experiência vivida no decurso de um processo de pesquisa-ação. Entretanto, em contextos educativos, em particular nos processos de estágio, o diário de bordo tem sido usado como instrumento de registro reflexivo da experiência pedagógica, e, nesse âmbito, amplamente utilizado na formação de pedagogos. Também muitos professores, cientes da necessidade de registros para refletirem acerca de sua ação educativa, e até mesmo para elaborarem seus relatórios individuais ou grupais, têm usado o diário de bordo como instrumento pedagógico, das mais diversas maneiras.

Diário de bordo é uma expressão originalmente usada nas navegações portuguesas, um registro das condições de viagem feito pelos pilotos das naus e caravelas, uma memória da viagem, com suas imprecisões, descobertas, condições atmosféricas e marítimas. Creio que, no século XXI, o diário de bordo possa ser o registro de aventuras pedagógicas vivenciadas no coletivo de uma sala de aula, de uma escola, de uma comunidade de aprendizagem, com seus navegantes, por vezes em mares revoltos; mas também o registro da viagem do educador a bordo de si mesmo.

Esse diário, segundo Barbier (2007), pode conter referências a impressões, acontecimentos, observações, ações, reflexões, desejos, leituras, escuta do outro, lembranças, emoções, etc. É, portanto, uma escrita mais livre que assume inicialmente a forma de um “diário-rascunho” e se torna progressivamente mais elaborado, até se tornar publicável.

Diante de tantas demandas formais nos contextos educativos, provavelmente algumas professoras sentirão falta (ou, talvez, algum estranhamento) diante da possibilidade de um registro mais livre, sem amarras, marcado por subjetividades que dialogam com objetividades, sem preocupação com o olhar do outro; mas que, por outro lado, possa ser útil para a escrita de seus relatórios, ao final do bimestre ou semestre letivo.

Observo que tais registros, se realizados no dia a dia da prática profissional dos educadores, podem contribuir largamente para a sua formação como professores reflexivos, pesquisadores da sua prática, mais conscientes e críticos com relação aos caminhos pedagógicos trilhados.  

Tal trabalho de registro reflexivo pode ser realizado quando e onde a educadora se sentir mais disponível e confortável para escrever. Sua extensão não me parece relevante, uma vez que pequenos apontamentos significativos podem ser mais importantes do que uma página escrita para cumprir um ritual avaliativo. Talvez essa escrita breve possa se ampliar progressivamente, na medida em que a educadora vai compreendendo o valor de uma escrita para si própria, ao mesmo tempo pessoal e profissional, ao assumir a autoria de linhas que aproximam a profissionalidade da sua pessoalidade, mesclando cognições e emoções, dando sentido ao vivido no cotidiano com as crianças.

Mas, afinal, o que é, ou pode ser, a escrita de um diário de bordo? Escrever um diário de bordo implica em revisitar o vivido. É um espaço de expressão em que a professora se distancia um pouco, temporal e espacialmente, da sua experiência (ainda que esse distanciamento seja o final do dia, mas já um pouco longe do calor da ação). Permite uma reaproximação do que foi vivido na sala de aula ou fora dela, uma releitura dos acontecimentos, intenções e ações desenvolvidas. Nesse sentido, o educador pode rever-se, rever as crianças, revisitar episódios críticos, situações que demandam sua atenção; refletir e problematizar o processo pedagógico vivenciado com o grupo, revisitar singularidades das crianças; aprimorar os projetos pedagógicos, os roteiros de estudo.

O que observei na minha turma? O que experimentamos como grupo? Será que escutei meus alunos? O que eles sugeriram? Deixei-me provocar por suas curiosidades? O que penso dos temas que emergiram, e como eles “conversam” com os conteúdos programáticos? Os projetos desenvolvidos, individual e coletivamente, resultaram de fato de uma escuta sensível das necessidades e dos interesses expressos pelas crianças?

Tenho clareza da minha intencionalidade pedagógica? O que aconteceu inesperadamente e mobilizou a atenção na sala de aula ou fora dela? Como me senti? Como reagi? Como as crianças se envolveram com uma atividade proposta? Como um conflito foi desencadeado e mediado? De que elementos necessito para lidar com determinado desafio pedagógico? Com quem posso conversar? Existe um suporte teórico para subsidiar minha ação educativa?

No decorrer do dia são tantas as micro decisões que um professor precisa tomar, quase sem tempo para pensar, que o diário de bordo representa talvez a grande possibilidade de   estar a sós consigo mesmo para pensar o processo educativo e nele se rever. Como afirma Perrenoud (1993), os professores oscilam entre a rotina e a improvisação, considerando esta última como um gesto educativo que depende da sua bagagem, assim como de suas características pessoais e subjetivas. Essa dimensão, assim como a bagagem de conhecimentos do educador, poderá ser largamente trabalhada a partir do diário de bordo.

O processo de ressignificação do vivido, a criação e recriação de sentidos subjetivos (GONZÁLEZ REY, 2003) para o cotidiano pedagógico; a reflexão sobre o que escapa, mas de repente se configura como relevante na memória do professor; a compreensão de que é necessária uma escuta mais profunda da criança ou da família, ou uma conversa que não deve mais ser adiada com a coordenação pedagógica; a súbita compreensão daquela “pobreza rica” das crianças de camadas desfavorecidas, como reconhecia Ivonilde Morrone, extraordinária professora da escola pública nos primórdios de Brasília (RODRIGUES, 2018); a compreensão do valor da brincadeira livre; o emergir de novas ideias e estratégias pedagógicas, mais criativas e lúdicas; estas são, enfim, algumas das dimensões que a escrita regular de um diário de bordo poderá certamente fertilizar.

Portanto, no diário de bordo cabem não apenas memórias do vivido, mas reflexões e indagações sobre esse vivido, pensado e sentido, que poderão ser melhor destrinchados. Creio, também, que a dimensão simbólico-emocional dos processos educativos possa ser reconhecida, assim como privilegiada, no diário de bordo.

Talvez o professor ou a professora se tornem mais conscientes das questões centrais da sua viagem pedagógica:  das inquietações e tempestades no mar da sua sala de aula; de correntes profundas que impedem a navegação calma; da necessidade de encontrar o curso a seguir; de mapas e bússolas de que precisa para desempenhar seu papel como educadora ou educador. Talvez o diário de bordo possa apontar a necessidade de um olhar mais fino, de uma sistematização mais cuidadosa, de uma escuta mais sensível, de uma problematização a ser compartilhada com colegas que vivem, em seu cotidiano, desafios e problemáticas com navegações semelhantes.

Afinal, como Fernando Pessoa poetou (e vou pedir emprestada a profundidade do título de seu poema), talvez um diário de bordo seja necessário porque “Navegar é preciso”, mas “Navegar não é preciso”.    

REFERÊNCIAS

BARBIER, René. A pesquisa-ação. São Paulo: Liber Livros, 2007.

GONZÁLEZ REY, Fernando. Sujeito e Subjetividade. São Paulo: Thomson Editora, 2003.

PERRENOUD, Philippe. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: perspectivas sociológicas. Lisboa: Dom Quixote, 1993.

RODRIGUES, Maria Alexandra Militão. Como Brasília aprendeu a ler e a escrever em seus primórdios: o protagonismo da professora Ivonilde Morrone. In PEREIRA, E.W.; COUTINHO, Laura.M.; RODRIGUES, M.A.M. (Orgs.). Anísio Teixeira e seu legado à educação do DF: história e memória. Brasília: Editora da Universidade de Brasília (EdUnB), 2018.

Festa da Cultura Popular

Festa da Cultura Popular numa associação
Texto: educadora Adriana Pereira

Desde que me tornei educadora na Vivendo e Aprendendo, sou apaixonada pelos espaços de diálogo e construção coletiva, vejo que estas características permeiam a prática pedagógica com as crianças e a sua culminância é na voz ativa das crianças e noção de coletividade delas. Um dos eventos que mais me mobiliza como educadora, é a Festa da Cultura Popular, que acontece todo mês de Agosto, uma forma de celebrar e explorar aspectos culturais do nosso país, definitivamente o que eu gosto nesse evento é a sua dinâmica de organização. Nos reunimos educadores/as e famílias, conversamos sobre os objetivos da festa, depois levantamos diversos temas que acreditamos ser relevantes como um possível fio condutor do trabalho pedagógico e celebração cultural com as crianças. Discutimos a relevância cultural, social e histórica dos mesmos, há defesas empolgantes de ideias, muita troca de saberes nesse momento. Quando chegamos ao tema, mediante consenso, começamos a pensar quais abordagens históricas e culturais faremos.

Contação de histórias com a princesa Adriana

Após esse primeiro encontro de escolha do tema, as famílias são novamente convidadas à
construírem com a equipe pedagógica, as reflexões e conhecimentos, que se transformaram em subsídio para as atividades pedagógicas com as crianças. Nesse encontro, são também convidados estudiosos/as sobre o tema. Em 2015, quando celebramos as diversas culturas dos povos Indígenas do Brasil, diversos pais e mães, que são antropólogos/as e educadores/as nessa temática, participaram dessa roda, trouxeram muitos materiais didáticos, foi memorável esse envolvimento. No ano seguinte, a festa foi sobre uma comunidade quilombola, os Kalungas, novamente muita dedicação em pesquisar o tema, aprender sobre a importância dos quilombos frente ao modo de produção escravista e preservação da identidade e da cultura da população afro-brasileira. No ano passado, a festa da cultura, nos convidou a olhar para arte de rua, danças, grafites, pixos, malabaristas e acrobatas dos sinais de trânsito, batalhas de MC’S, Slam, estátuas vivas, skates, parques… A rua com suas multi expressões nunca mais foi vista pelas crianças da mesma maneira, que a veem como um organismo vivo e criador de estéticas próprias.

Minha turma, fez uma atividade, que era entrevistar familiares a amigos/as sobre suas brincadeiras e lembranças mais carinhosas da rua, reconhecendo narrativas e percebendo de forma intergeracional aspectos culturais relevantes para sua visão de mundo. Depois fomos dar um passeio de ônibus para ver alguns grafites pela cidade e muitas outras vivências, as crianças gritavam empolgadas nomes de artistas do grafite da cidade que estavam conhecendo.

Ano passado, decidimos que a Festa da Cultura Popular ao celebrar expressões culturais que não se dão entre muros ou cercas, deveria acontecer na rua. E lá fomos nós, cada um levando um alimento para compartilhar, toalhas de piquenique, skates, bolas e objetos para uma feira de trocas. Numa tarde de sábado ocupamos um espaço público, como mais de 150 crianças, suas famílias e educadores, todos e todas dedicados a essa experiência. Quando chega o recesso do meio do ano, já começo a pensar que na volta, me esperam rodas de conversas e debates memoráveis sobre Cultura Popular, em companhia de toda a comunidade escolar, meu coração se aquece!

Me Chamo Adriana Pereira e educação para mim, tem que ter gente em roda, trocando, socializando e disposta a se implicar no processo.

Festa Junina 2018

Domingo, 17 de junho, ocorreu a aguardada festa junina da Vivendo e Aprendendo. A festa foi realizada no bucólico espaço da associação que, com seu amplo pátio arborizado, suas casinhas coloridas e a criativa decoração dos professores, se tornou um verdadeiro arraial.

Durante a festa, foram promovidas muitas brincadeiras típicas de festa junina, como a pescaria, a corrida de saco e jogos de arremesso. Mas o auge do evento deu-se com a apresentação do artista Edy Natureza que, em cima de pernas de pau e de fantasia, se transformou em um pica-pau gigante. As crianças foram à loucura, correndo pelo espaço da escola inteiro (umas atrás da ave, outras fugindo dela), com muitos risos e alegria, como em qualquer festa tem de ser.

Por fim, encerramos a festa com uma grande quadrilha, regada a muitas risadas e uma deliciosa fogueira em nosso jardim.

Texto e fotos por Paulo Frederico

 

 

 

Wilma Lino Dutra: A menina perdida que se encontrou e hoje ensina o que é o amor

Aos 47 anos, ela conta que aprender a ler foi uma de suas maiores emoções durante toda a sua vida: “Acho que por isso depois me tornei professora”, conta em entrevista ao HuffPost Brasil.

De onde vinha o amor? Ela não sabia. E, de fato, ela demorou muito tempo para reconhecê-lo. Ainda pequena, se viu sozinha, encontrada nas ruas da Ceilândia, cidade do Distrito Federal, sem lembrar do próprio nome ou endereço, apenas o nome dos pais, Albertina e Pedro, na memória. Foi levada para um orfanato com sete anos e lá teve nome e data de nascimento inventados. Nascia ali, Wilma Lino Dutra, hoje com 47 anos. Uma mulher que passou por diversos processos até descobrir quem realmente era, mesmo que não soubesse, de fato, quem fora antes. E hoje, a professora de uma sala com paredes laranja, que sai da porta no fim do dia com sorriso largo no rosto, óculos de armação tie-dye azul, cabelos curtos claros, short jeans e regata, sabe, sim, amar.

Ela tem pouca memória de infância. Consegue lembrar da mãe, que tinha família grande, que um dos seus irmãos já tinha sumido, que chorava quando a mãe saía pra trabalhar, que tinha o apelido de Tuta do qual não gostava. Lembra também do orfanato, de brincar, de subir no abacateiro, de plantar morango, da escola e dos amigos. Aprendeu a ler com 11 anos e nunca esqueceu o momento em que conseguiu entender as palavras que via.

Wilma Lino Dutra é a 73ª entrevistada do projeto “Todo Dia Delas”, que celebra 365 Mulheres no HuffPost Brasil. 

“Fiz a escola com muita dificuldade e tinha muita vergonha disso. Mas me lembro muito bem do dia em que consegui ler, uma das freiras que me ensinava chorou de emoção, me abraçou e me beijou, e me disse “Wilma, você aprendeu a ler”. Foi uma das cenas mais marcantes da minha vida, acho que por isso depois me tornei professora”.

Para encontrar seu caminho, no entanto, a jornada foi longa. Aos 12 anos foi “adotada” por uma família, como era muito comum na década de 70 no Brasil, ela foi para casa, na verdade, trabalhar. “Era aquela coisa, eu tinha estudo, tinha dentista uma vez por ano, ganhava presente, mas ela tinha filhas com idade próxima a minha e elas não faziam nada”. Mais tarde a filha da “mãe postiça” a levou pra casa pra cuidar do filho dela. Ela trabalhava como babá de dia, e estudava de noite. Quando completou 18 anos, uma senhora que sempre encontrava com ela no parquinho com as crianças lhe ofereceu um emprego para lavar, passar e cozinhar, mas desta vez ela teria um salário. Continuou a estudar, pensou em fazer pedagogia, mas acabou indo pra Contabilidade.

Aprender a ler e conhecer histórias de mulheres tão incríveis quanto ela mesma só fez Wilma crescer. Hoje, a menina é mulher. E professora.

Foi com outra família para Florianópolis, mas resolveu voltar para Brasília. Foi acolhida por uma amiga, que ela considera como irmã, da época do orfanato. Trabalhou com o que podia, em padarias e depois como vendedora. Até que a patroa a indicou para uma vaga para ser auxiliar de professora na escola da filha. “Ela dizia que eu tinha jeito com crianças e eu pensei: não sei nem ler direito, como vou ser professora? Quando cheguei lá eram seis vagas com 18 pessoas concorrendo. Eu achei que não ia conseguir, todo mundo de universidade e eu ainda falava errado! Mas passei pelo processo seletivo e nem acreditei quando fui selecionada. Chorei muito”.

Na escola cheia de casas coloridas, no centro de Brasília, quase ao lado da Esplanada dos Ministérios, ela cresceu, viveu e aprendeu. No início foi difícil, ela era tímida e tinha dúvidas se conseguiria. Com um modelo mais alternativo de educação, baseada no diálogo e na escuta das crianças, ela acabou por se descobrir.

“O início foi muito difícil, mas acho que sofri foi pra me auto-conhecer mesmo. Porque tudo que é seu sai no processo de se tornar professora. E na escola, as pessoas eram sinceras comigo, me diziam não é assim que faz, mas também me perguntavam o que eu achava. Então, a impressão que eu tive era que eu podia ser eu mesma. A Wilma brava, a Wilma cheia de coragem, que tinha ideias, que era criativa”.

Lá se vão duas décadas na mesma escola, a Vivendo e Aprendendo, reconhecida pelo MEC como modelo de educação inovadora, com alunos da educação infantil indo e vindo, e foi nessa convivência que Wilma descobriu o amor. “Nunca ninguém tinha dito que me amava ou sequer se gostava de mim e eu escutei isso a primeira vez na escola. Não me lembro sequer dos meus pais terem me dito isso. E quando ouvi pela primeira vez eu pensei: como as pessoas podem se amar? Como isso funciona? Mas eu aprendi o que era. Aprendi a me amar, aprendi a lutar pelo que eu queria, aprendi a ser mais forte e falar o que eu penso e e aceitar as pessoas do jeito que elas são. Isso sim é amor”, conta com lágrimas nos olhos.

Foi na escola no centro de Brasília que ela aprendeu a se identificar com ela mesma.

Foi nesse processo que ela conseguiu se olhar e se ver de uma forma mais gentil. Foi longo e dolorido para alguém que sempre ouvi tantas coisas ruins de si mesma, se ver no espelho com mais amor. “Eu cresci achando que eu era um pessoa feia, gorda, burra. E na escola eu comecei a escutar elogios, como você é bonita, forte e corajosa, coisas que eu sequer via em mim. Então eu comecei a me aceitar, a entender que sim sou bonita, que eu podia estudar e aprender, que eu era inteligente. Isso me ensinou a ser mulher e não ter vergonha de falar ou de vestir como eu que eu gosto”, diz a professora, que enquanto trabalhava fez o curso de pedagogia.

Foi na escola no centro de Brasília que ela aprendeu a se identificar com ela mesma, inclusive com o nome escolhido no antigo orfanato, que na verdade, era o da irmã que ela lembrava quando chegou lá. “Teve uma época que eu sentia muita falta da minha mãe e eu demorei a aceitar essa parte da minha história, da minha família. E hoje uma das coisas que eu mais gosto é quando eu escuto as crianças falarem meu nome, e elas dizem com calma… Wiillma. Porque quando a criança te reconhece pelo nome é uma das maiores demonstrações de carinho. Então, essa sou eu, esse é meu nome e tenho orgulho dele”.

Wilma segura em suas mãos o livro “Histórias e Ninar para Garotas Rebeldes”, que conta fábulas de mulheres incríveis para meninas.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Tatiana Sabadini
Imagem: Tatiana Reis
Edição: Andréa Martinelli
Figurino: C&A
Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC
Matéria original: https://www.huffpostbrasil.com/2018/05/18/wilma-lino-dutra-a-menina-perdida-que-se-encontrou-e-hoje-ensina-o-significado-do-amor_a_23434627/

O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo.
Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC

Chá de livros 2018

Nosso chá de livros aconteceu na tarde de sábado, 24 de março. Mas e o que é o Chá de livros? É um evento pedagógico da Vivendo realizado anualmente com o objetivo de valorizar a cultura literária infantil e fomentar o desejo e a curiosidade das crianças pela leitura. É um dia também de encontro entre as famílias e celebração da nossa associação com atividades, contação de histórias, teatro, restauração de livros, oficinas e quitutes deliciosos!

Nas semanas que antecedem o Chá, as turmas trabalham diferentes obras literárias, produzem decorações para o evento, separam os livros que precisam ser restaurados, refletem e dialogam sobre o cuidado com os nossos livros.

Para o Chá, os/as educadores/as vão a livrarias e fazem uma lista de títulos significativos para cada turma, pensando em temas importantes para o grupo, em diversidade de gênero, racial, de tipologia textual e que auxiliem nas investigações dos projetos.

Na edição de 2018, destacamos a produção literária produzida pelas escritoras e ilustradoras brasilieiras e no dia do c, tivemos uma programação cheia de atividades: espaços de contação de histórias, brincadeiras com fantoches, teatro de sombras, oficinas de restauração e dedicatória, dentre outros. Fotos por Juliana Caribé (mãe associada)

Festa da Cultura Popular 2017

Texto e fotos por Pedrinho Fonseca (pai associado da Vivendo e Aprendendo)

O lugar somos nós. Se lá não estamos, o lugar é imaginação. Nosso pensamento tentando habitar um espaço desconhecido com cores, árvores, bancos, brinquedos, um sol que se põe no horizonte. Mas quando lá estamos, o lugar passa a existir. E aí o pensamento, livre deste trabalho imaginativo, ocupa-se em pensar em como podemos ocupá-lo. Juntos, aquele lugar – que existe – e nós, nos tornamos um.

No sábado, dia 26 de agosto de 2017, a Vivendo e Aprendendo ocupou a Praça do Compromisso para celebrar a Festa da Cultura Popular – pensada, organizada e festejada por toda a comunidade da escola. A cultura popular, queiramos ou não, nos habita. Somos nós o lugar para que ela exista (e resista). E um inexiste sem o outro. Estamos tão ligados (nós na cultura e ela em nós) que toda vez que uma força obscura e temerosa quer nos enfraquecer, o que faz? Tenta apagar a nossa cultura, a nossa memória, a nossa existência.

Ocupar a praça, no sábado, foi transpor a imaginação, levar o pensamento para passear, junto com tantos outros pensamentos – similares, distintos, iguais, opostos. E do conjunto de encontro dos nossos pensamentos, na praça, ocupamo-nos de fazer existir e resistir a cultura popular. Uma festa se fez em nós.

 

 

 

 

Uma instituição transformadora

Matéria publicada por Leonardo Carneiro no Correio Braziliense em 25/04/2017
Fotos por: Pedrinho Fonseca
Link original da matéria: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_educacaobasica/2017/04/25/ensino_educacaobasica_interna,591202/programa-global-reconhece-vivendo-e-aprendendo-como-escola-transformad.shtml

A Associação cooperativa de ensino agora integra uma rede global com mais de 270 escolas transformadoras em todos os continentes. No Brasil, ela se une a outras 17 escolas e é primeira de ensino infantil a ser reconhecida.

Leonardo Carneiro

A Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo entrou, desde o início de abril, na lista de instituições de ensino reconhecidas pelo Programa Escolas Transformadoras. É o primeiro estabelecimento de ensino de Brasília a se juntar a outras 17 escolas no Brasil, incluído no programa que conecta mais de 270 colégios em todos os continentes. O programa é uma iniciativa em âmbito global da organização de inovação social Ashoka e, no Brasil, o programa é realizado em parceria com o Instituto Alana, ONG que atua em defesa da infância. O principal objetivo dessa conexão é guiar a comunidade educacional brasileira para um novo olhar sobre a educação e identificar experiências de escolas comprometidas em formar jovens transformadores.

Surgida como uma associação cooperativa privada de ensino, a Vivendo e Aprendendo é hoje referência no ensino infantil de Brasília, e a primeira de educação infantil a ser reconhecida como uma escola transformadora. A associação apresenta uma proposta pedagógica baseada no pressuposto de uma educação democrática, em que se valoriza o protagonismo de cada pessoa que faz parte do coletivo, incluindo alunos, pais e funcionários. Todos são essenciais nas decisões e na gestão da associação. A cooperativa de ensino olha para o desenvolvimento integral da criança. É o que explica o coordenador pedagógico Pablo Carneiro: “nossa associação não tem dono, todas as questões financeiras, estruturais etc. são feitas por todos os integrantes, desde o profissional da limpeza, até as próprias crianças e famílias. Nossa educação é voltada para o desenvolvimento do indivíduo como pessoa e todos têm voz nas questões que lhes rodeiam”.
Leonardo Carneiro

A instituição do DF, para ser selecionada, teve que ser avaliada segundo alguns critérios que a definam como um ambiente de transformação social. O currículo da instituição deve ser voltado para o desenvolvimento integral dos indivíduos, além de considerar a sustentabilidade e apresentar estratégias para a produção de conhecimento e cultura. O ambiente físico deve proporcionar a exploração e a convivência com as diferenças e as instituições devem estimular estratégias pedagógicas que reconheçam o estudante como protagonista da própria aprendizagem. Além disso, as ações devem envolver a comunidade.

A Vivendo e Aprendendo foi o primeiro colégio de ensino infantil a se enquadrar nessas características e lançou o reconhecimento de escolas dessa etapa da educação básica para o programa. O coordenador Pablo conta que ele e os demais coordenadores do instituto passaram por um processo de avaliação para serem aceitos no programa. “Nós passamos por várias etapas de seleção. Uma delas foi um encontro e troca de experiências com uma escola comunitária do interior da Paraíba e uma escola pública de Manaus. A última etapa foi um painel de entrevistas. Fomos entrevistados por vários especialistas em educação”, conta.

Leonardo Carneiro

Um dos maiores diferenciais da Vivendo e Aprendendo, segundo colaboradores, é a resposta das crianças ao método de educação aplicado. “Às vezes, tenho que brigar com as minhas filhas porque elas não querem sair da escola. Isso é um valor porque os alunos se sentem felizes”, ressalta o arquiteto Fábio Rolin, 43 anos, pai das alunas Bruna e Marina. Esse diferencial tem reflexos também na vida pessoal das crianças, que se sentem mais conscientes de si e do mundo que as envolvem. A servidora pública Ana Vitória Piaggio, 38, mãe de Elis, reforça a afirmação: “a proposta é a criança se conhecer, olhar para dentro, e também olhar para o outro.” De acordo com a mãe, “O objetivo é formar pessoas preocupadas em transformar o mundo com a liberdade de serem quem elas realmente são. Como consequência, essa transformação atinge também as famílias. Aprendemos muito”, diz.

A Associação Ashoka é uma organização social global, formada por mais de 3 mil empreendedores sociais em 84 países. Fundada em 1981, tem o objetivo de colaborar com a construção de um mundo em que todos são agentes transformadores. A ideia é formar uma sociedade em que qualquer pessoa possa desenvolver e aplicar as habilidades necessárias para solucionar os principais problemas sociais que hoje enfrentamos.

Leonardo Carneiro

O programa Escolas Transformadoras funciona como uma rede de institutos de ensino, unidos pelo objetivo de se transformarem para transformar, apesar dos desafios e dificuldades encontrados no caminho. Dificuldades essas que servem para impulsionar a mudança da escola na sociedade e no mundo. O programa tem, ao total, 18 centros de ensino reconhecidas no Brasil que vão, coletivamente, se engajando para provocar transformações sociais mais sistêmicas. As instituições não recebem recursos diretamente, porém são feitos investimento indiretos para oferecer oportunidades de conexão a elas e dar a elas condições de espalhar esse conhecimento pelas comunidades.

Nesse caminho, os colégios são conectadas à rede e têm contato com especialistas do setor de educação, com empreendedores sociais e interagem entre si. Além de participarem de rodas públicas de debate, de conversas e outras formas de comunicação. A assessora pedagógica do Instituto Alana, Raquel Franzim, conta que “o instituto defende a escola como um espaço de transformação e liberdade, como está previsto na Constituição.” Ela aponta que, apesar das críticas, “Nós, com a Ashoka, compramos essa briga, pois não concordamos com esse entendimento conservador de que escola é um ambiente apartado da vida da criança e de que os pais são os únicos responsáveis pela educação delas”, afirma.

Em conjunto com outros pesquisadores, Raquel Franzim esteve na Vivendo e Aprendendo para observar a rotina da escola e verificar se ela se adequava aos parâmetros do programa. “A Vivendo e Aprendendo tem um perfil muito especial. Os educadores, por exemplo, são de formações muito diversas e não são somente professores ou pedagogos. Profissionais como cineastas, artistas, psicólogos e antropólogos, têm contribuições importantes para oferecer à formação das crianças”, relata a assessora do instituto Alana.

É dia de feira

Postado em 29/01/2017 no Correio Brasiliense – Por Gláucia Chaves

O pequeno agricultor cultiva sua produção respeitando o tempo que o alimento precisa para amadurecer. O escoamento dos produtos é feito de forma muito mais modesta que os grandes planos logísticos adotados por grandes redes de varejo: muitas vezes, as verduras, frutas e legumes são levados às feiras e restaurantes pelos próprios agricultores. Como os alimentos não têm nenhuma química, duram o tempo que têm que durar, ou seja, não aguentam longos períodos de viagem ou muito tempo parados nas prateleiras. Tudo isso dificulta a vida do agricultor familiar, como explica Renê Birochi, um dos coordenadores da Arca do Gosto: “É preciso garantir que sejam construídos canais sustentáveis para que o agricultor familiar consiga estimar quanto vai produzir e quanto disso será vendido”.

O agricultor familiar precisa estimar um preço justo, suficiente para sustentá-lo até a próxima safra. Atualmente, ainda de acordo com Birochi, o que acaba acontecendo é que as grandes redes de varejo abocanham quase todo o mercado de alimentos. Por isso, o projeto exalta a criação de espaços próprios para a venda de orgânicos, em extinção ou não. Mas e as feirinhas orgânicas, que hoje brotam mais que chuchu na cerca? “Hoje em dia, o mercado de orgânicos está em franco crescimento, mas está reproduzindo a mesma lógica de concentração de poder econômico para grandes varejistas”, analisa Renê Birochi. “Continua a mesma relação assimétrica de desequilíbrio em relação ao agricultor familiar. Não adianta ter um produto livre de agrotóxicos, mas que continua remunerando mal o agricultor.”

Nesse sentido, as CSAs (comunidades que sustentam o agricultor) são muito importantes. A ideia delas é estabelecer uma relação de confiança entre os agricultores e os coagricultores, termo usado para definir quem faz parte da iniciativa. Funciona assim: o agricultor apresenta todas as informações sobre seus custos de produção. O valor é dividido em cotas mensais, pagas pelos coagricultores, que passam a ser financiadores daquele agricultor. Em troca, os participantes recebem uma cesta com os itens produzidos. Assim, tudo o que for colhido já estará pago e vendido, descartando a necessidade de atravessadores.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte. A psicóloga revela que a iniciativa conta com mais de 20 coagricultores. Além de ajudar a financiar a produção de alimentos comprovadamente sem agrotóxicos, Daniela acredita que a CSA é uma maneira de sensibilizar as crianças para a questão ambiental. “Fazemos visitas aos locais de produção com as crianças, que têm a oportunidade de ver como é o plantio, colher e entender a sazonalidade dos alimentos”, descreve.

Para participar, é preciso ser indicado por um membro da CSA. O interessado assina um termo de compromisso e recebe uma cesta semanal, com dez a 12 itens, entre folhagens, verduras, legumes e frutas. “O legal é que você começa a consumir alimentos que antes não conhecia”, completa. Daniela diz que começou a se aprofundar no assunto com o objetivo de esclarecer as filhas, de 4 e 8 anos de idade. Informar-se sobre a origem do alimento, o valor do orgânico e entender sobre economia circular e colaborativa foram os passos seguintes. “Na nossa comunidade, além de nos preocuparmos em saber que os agricultores estão bem para fornecer um alimento bom, também ficamos preocupados com as trocas”, comenta. As trocas funcionam entre os membros de maneira simples: se há algo sobrando na sua cesta e faltando na do outro, os participantes fazem o escambo.

A interação entre os coagricultores e agricultores é outra vantagem do processo. Todos se chamam de família. “Esse movimento social colaborativo integra as pessoas. Isso foi o que me encantou desde o começo”, descreve Daniela. “A preocupação começa dentro de casa, mas quando você vê o alcance disso, acha que o seu é muito pouco. Sua vida muda, porque você começa a se alimentar melhor, mas você passa a ver a vida dos seus amigos mudar, dos agricultores e também a do planeta.”

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA. O interesse por produção de comida vem de anos, assim como a noção das vantagens dos circuitos curtos de produção e distribuição de alimentos. A taxa de R$ 298,08 também é satisfatória: antes, Antoine gastava cerca de R$ 400 por mês em alimentos orgânicos para ele, a esposa e a filha. “Se for comprar orgânicos no supermercado, você vai pagar mais que o dobro disso”, compara.

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

Além da distância física entre agricultores e consumidores, Antoine ressalta que o CSA ajudou a diminuir a distância emocional entre as pessoas. “Conheci os agricultores, fui à casa deles, conheci o processo inteiro”, comenta. Mas é preciso ter em mente que a natureza tem seu próprio tempo: a cesta só vem com o que está na época. Esse detalhe, contudo, não incomoda nem um pouco Antoine. “Tem períodos que não tem tomate, mas sei que eles virão em dois, três meses. Acho que a pessoa tem que se virar para comer bem e o melhor jeito é esse, não tenho dúvidas.”