Uma instituição transformadora

Matéria publicada por Leonardo Carneiro no Correio Braziliense em 25/04/2017
Fotos por: Pedrinho Fonseca
Link original da matéria: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_educacaobasica/2017/04/25/ensino_educacaobasica_interna,591202/programa-global-reconhece-vivendo-e-aprendendo-como-escola-transformad.shtml

A Associação cooperativa de ensino agora integra uma rede global com mais de 270 escolas transformadoras em todos os continentes. No Brasil, ela se une a outras 17 escolas e é primeira de ensino infantil a ser reconhecida.

Leonardo Carneiro

A Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo entrou, desde o início de abril, na lista de instituições de ensino reconhecidas pelo Programa Escolas Transformadoras. É o primeiro estabelecimento de ensino de Brasília a se juntar a outras 17 escolas no Brasil, incluído no programa que conecta mais de 270 colégios em todos os continentes. O programa é uma iniciativa em âmbito global da organização de inovação social Ashoka e, no Brasil, o programa é realizado em parceria com o Instituto Alana, ONG que atua em defesa da infância. O principal objetivo dessa conexão é guiar a comunidade educacional brasileira para um novo olhar sobre a educação e identificar experiências de escolas comprometidas em formar jovens transformadores.

Surgida como uma associação cooperativa privada de ensino, a Vivendo e Aprendendo é hoje referência no ensino infantil de Brasília, e a primeira de educação infantil a ser reconhecida como uma escola transformadora. A associação apresenta uma proposta pedagógica baseada no pressuposto de uma educação democrática, em que se valoriza o protagonismo de cada pessoa que faz parte do coletivo, incluindo alunos, pais e funcionários. Todos são essenciais nas decisões e na gestão da associação. A cooperativa de ensino olha para o desenvolvimento integral da criança. É o que explica o coordenador pedagógico Pablo Carneiro: “nossa associação não tem dono, todas as questões financeiras, estruturais etc. são feitas por todos os integrantes, desde o profissional da limpeza, até as próprias crianças e famílias. Nossa educação é voltada para o desenvolvimento do indivíduo como pessoa e todos têm voz nas questões que lhes rodeiam”.
Leonardo Carneiro

A instituição do DF, para ser selecionada, teve que ser avaliada segundo alguns critérios que a definam como um ambiente de transformação social. O currículo da instituição deve ser voltado para o desenvolvimento integral dos indivíduos, além de considerar a sustentabilidade e apresentar estratégias para a produção de conhecimento e cultura. O ambiente físico deve proporcionar a exploração e a convivência com as diferenças e as instituições devem estimular estratégias pedagógicas que reconheçam o estudante como protagonista da própria aprendizagem. Além disso, as ações devem envolver a comunidade.

A Vivendo e Aprendendo foi o primeiro colégio de ensino infantil a se enquadrar nessas características e lançou o reconhecimento de escolas dessa etapa da educação básica para o programa. O coordenador Pablo conta que ele e os demais coordenadores do instituto passaram por um processo de avaliação para serem aceitos no programa. “Nós passamos por várias etapas de seleção. Uma delas foi um encontro e troca de experiências com uma escola comunitária do interior da Paraíba e uma escola pública de Manaus. A última etapa foi um painel de entrevistas. Fomos entrevistados por vários especialistas em educação”, conta.

Leonardo Carneiro

Um dos maiores diferenciais da Vivendo e Aprendendo, segundo colaboradores, é a resposta das crianças ao método de educação aplicado. “Às vezes, tenho que brigar com as minhas filhas porque elas não querem sair da escola. Isso é um valor porque os alunos se sentem felizes”, ressalta o arquiteto Fábio Rolin, 43 anos, pai das alunas Bruna e Marina. Esse diferencial tem reflexos também na vida pessoal das crianças, que se sentem mais conscientes de si e do mundo que as envolvem. A servidora pública Ana Vitória Piaggio, 38, mãe de Elis, reforça a afirmação: “a proposta é a criança se conhecer, olhar para dentro, e também olhar para o outro.” De acordo com a mãe, “O objetivo é formar pessoas preocupadas em transformar o mundo com a liberdade de serem quem elas realmente são. Como consequência, essa transformação atinge também as famílias. Aprendemos muito”, diz.

A Associação Ashoka é uma organização social global, formada por mais de 3 mil empreendedores sociais em 84 países. Fundada em 1981, tem o objetivo de colaborar com a construção de um mundo em que todos são agentes transformadores. A ideia é formar uma sociedade em que qualquer pessoa possa desenvolver e aplicar as habilidades necessárias para solucionar os principais problemas sociais que hoje enfrentamos.

Leonardo Carneiro

O programa Escolas Transformadoras funciona como uma rede de institutos de ensino, unidos pelo objetivo de se transformarem para transformar, apesar dos desafios e dificuldades encontrados no caminho. Dificuldades essas que servem para impulsionar a mudança da escola na sociedade e no mundo. O programa tem, ao total, 18 centros de ensino reconhecidas no Brasil que vão, coletivamente, se engajando para provocar transformações sociais mais sistêmicas. As instituições não recebem recursos diretamente, porém são feitos investimento indiretos para oferecer oportunidades de conexão a elas e dar a elas condições de espalhar esse conhecimento pelas comunidades.

Nesse caminho, os colégios são conectadas à rede e têm contato com especialistas do setor de educação, com empreendedores sociais e interagem entre si. Além de participarem de rodas públicas de debate, de conversas e outras formas de comunicação. A assessora pedagógica do Instituto Alana, Raquel Franzim, conta que “o instituto defende a escola como um espaço de transformação e liberdade, como está previsto na Constituição.” Ela aponta que, apesar das críticas, “Nós, com a Ashoka, compramos essa briga, pois não concordamos com esse entendimento conservador de que escola é um ambiente apartado da vida da criança e de que os pais são os únicos responsáveis pela educação delas”, afirma.

Em conjunto com outros pesquisadores, Raquel Franzim esteve na Vivendo e Aprendendo para observar a rotina da escola e verificar se ela se adequava aos parâmetros do programa. “A Vivendo e Aprendendo tem um perfil muito especial. Os educadores, por exemplo, são de formações muito diversas e não são somente professores ou pedagogos. Profissionais como cineastas, artistas, psicólogos e antropólogos, têm contribuições importantes para oferecer à formação das crianças”, relata a assessora do instituto Alana.

É dia de feira

Postado em 29/01/2017 no Correio Brasiliense – Por Gláucia Chaves

O pequeno agricultor cultiva sua produção respeitando o tempo que o alimento precisa para amadurecer. O escoamento dos produtos é feito de forma muito mais modesta que os grandes planos logísticos adotados por grandes redes de varejo: muitas vezes, as verduras, frutas e legumes são levados às feiras e restaurantes pelos próprios agricultores. Como os alimentos não têm nenhuma química, duram o tempo que têm que durar, ou seja, não aguentam longos períodos de viagem ou muito tempo parados nas prateleiras. Tudo isso dificulta a vida do agricultor familiar, como explica Renê Birochi, um dos coordenadores da Arca do Gosto: “É preciso garantir que sejam construídos canais sustentáveis para que o agricultor familiar consiga estimar quanto vai produzir e quanto disso será vendido”.

O agricultor familiar precisa estimar um preço justo, suficiente para sustentá-lo até a próxima safra. Atualmente, ainda de acordo com Birochi, o que acaba acontecendo é que as grandes redes de varejo abocanham quase todo o mercado de alimentos. Por isso, o projeto exalta a criação de espaços próprios para a venda de orgânicos, em extinção ou não. Mas e as feirinhas orgânicas, que hoje brotam mais que chuchu na cerca? “Hoje em dia, o mercado de orgânicos está em franco crescimento, mas está reproduzindo a mesma lógica de concentração de poder econômico para grandes varejistas”, analisa Renê Birochi. “Continua a mesma relação assimétrica de desequilíbrio em relação ao agricultor familiar. Não adianta ter um produto livre de agrotóxicos, mas que continua remunerando mal o agricultor.”

Nesse sentido, as CSAs (comunidades que sustentam o agricultor) são muito importantes. A ideia delas é estabelecer uma relação de confiança entre os agricultores e os coagricultores, termo usado para definir quem faz parte da iniciativa. Funciona assim: o agricultor apresenta todas as informações sobre seus custos de produção. O valor é dividido em cotas mensais, pagas pelos coagricultores, que passam a ser financiadores daquele agricultor. Em troca, os participantes recebem uma cesta com os itens produzidos. Assim, tudo o que for colhido já estará pago e vendido, descartando a necessidade de atravessadores.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte.

Daniela Ângelo Miranda, 42 anos, é uma das organizadoras da CSA que funciona em uma escola da Asa Norte. A psicóloga revela que a iniciativa conta com mais de 20 coagricultores. Além de ajudar a financiar a produção de alimentos comprovadamente sem agrotóxicos, Daniela acredita que a CSA é uma maneira de sensibilizar as crianças para a questão ambiental. “Fazemos visitas aos locais de produção com as crianças, que têm a oportunidade de ver como é o plantio, colher e entender a sazonalidade dos alimentos”, descreve.

Para participar, é preciso ser indicado por um membro da CSA. O interessado assina um termo de compromisso e recebe uma cesta semanal, com dez a 12 itens, entre folhagens, verduras, legumes e frutas. “O legal é que você começa a consumir alimentos que antes não conhecia”, completa. Daniela diz que começou a se aprofundar no assunto com o objetivo de esclarecer as filhas, de 4 e 8 anos de idade. Informar-se sobre a origem do alimento, o valor do orgânico e entender sobre economia circular e colaborativa foram os passos seguintes. “Na nossa comunidade, além de nos preocuparmos em saber que os agricultores estão bem para fornecer um alimento bom, também ficamos preocupados com as trocas”, comenta. As trocas funcionam entre os membros de maneira simples: se há algo sobrando na sua cesta e faltando na do outro, os participantes fazem o escambo.

A interação entre os coagricultores e agricultores é outra vantagem do processo. Todos se chamam de família. “Esse movimento social colaborativo integra as pessoas. Isso foi o que me encantou desde o começo”, descreve Daniela. “A preocupação começa dentro de casa, mas quando você vê o alcance disso, acha que o seu é muito pouco. Sua vida muda, porque você começa a se alimentar melhor, mas você passa a ver a vida dos seus amigos mudar, dos agricultores e também a do planeta.”

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA. O interesse por produção de comida vem de anos, assim como a noção das vantagens dos circuitos curtos de produção e distribuição de alimentos. A taxa de R$ 298,08 também é satisfatória: antes, Antoine gastava cerca de R$ 400 por mês em alimentos orgânicos para ele, a esposa e a filha. “Se for comprar orgânicos no supermercado, você vai pagar mais que o dobro disso”, compara.
O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

O músico Antoine Espagno, 57 anos, é um dos coagricultores da CSA

Além da distância física entre agricultores e consumidores, Antoine ressalta que o CSA ajudou a diminuir a distância emocional entre as pessoas. “Conheci os agricultores, fui à casa deles, conheci o processo inteiro”, comenta. Mas é preciso ter em mente que a natureza tem seu próprio tempo: a cesta só vem com o que está na época. Esse detalhe, contudo, não incomoda nem um pouco Antoine. “Tem períodos que não tem tomate, mas sei que eles virão em dois, três meses. Acho que a pessoa tem que se virar para comer bem e o melhor jeito é esse, não tenho dúvidas.”

Pais produzem disco sobre atividades dos filhos em escola de Brasília

Por Correio Braziliense em 27/12/2016
Fonte original: www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2016/12/27/interna_diversao_arte,562651/pais-produzem-disco-sobre-atividades-dos-filhos-em-escola-de-brasilia.shtml

Quase todos os pais tocam algum instrumento. Essa coincidência de tantos músicos foi uma das grandes razões para desenvolver esse projeto” Marcelo Lima, compositor

Quase todos os pais tocam algum instrumento. Essa coincidência de tantos músicos foi uma das grandes razões para desenvolver esse projeto” Marcelo Lima, compositor

“Os jovens são o futuro da nação”. Não é de admirar que você já tenha ouvido essa frase, ainda que não conheça o autor. As palavras ditas tantas vezes parecem ter se tornado um hino de esperança, pois é nas crianças que projetamos o nosso amanhã.

Entre as vias L2 e L3 Norte, surge o fio de esperança da capital federal. Pequenos artistas exalam criatividade e entusiasmo, em um mundo particular de sonho e fantasia, movido à música, arte, gastronomia e literatura.

A Vivendo e aprendendo é uma associação de ensino infantil sem fins lucrativos, criada em 1982 por pais e mães insatisfeitos com o ensino da época. Eles buscavam um lugar em que o “pensar’ fosse prioridade, incentivando o processo crítico e criativo dos pequeninos.

Hoje, tornou-se referência no ensino infantil, com crianças de 2 a 7 anos, em um espaço lúdico e repleto de cor. Na instituição, pais, professores e alunos são considerados associados, e, assim, têm participação assídua em trabalhos desenvolvidos pela associação.Para cantar junto
O compositor, Marcelo Lima, foi peça chave em um dos projetos desenvolvidos na instituição: Roda de música. Marcelo é músico profissional e atualmente faz parceria com o  cantor  Lauro Aires, no albúm Centropia.Marcelo conta que o projeto foi sua forma de contribuir com a associação, já que a turma de seu filho sempre foi muito musical: “Quase todos os pais tocam algum instrumento.  A coincidência de tantos músicos foi uma das grandes razões para desenvolver esse projeto”.

Roda de música é um projeto musical iniciado na sala de aula que resultou em um disco, sem financiamento cultural. Produzido por Marcelo Lima e Fernando Rodrigues, com arte gráfica de Daniela Rodrigues e patrocinado pelo produtor executivo Tomás Garcia.

“O disco foi feito em dois meses, é uma produção rápida”, conta Marcelo Lima, que completa:  “É  uma forma de ajudar  a associação a transformar isso em um produto cultural da escola”.

O disco foi produzido a partir das experiências vividas pelas crianças em sala de aula. As composições de Marcelo Lima, com participação de Vinícius Campos, Julia Galiza e Lauro Aires, foram escritas para os pequenos, pais e mestres da associação.

“Foi uma euforia geral, as crianças ficaram super felizes,. Então começamos a trazer as músicas para a sala de aula. Combinamos que o Marcelo iria duas vezes por semana para ensaiar com as crianças”, conta Wilma Lino, uma das pedagogas responsáveis pelo projeto.

A pedagoga comenta: “Foi uma oportunidade de trazer a música para a sala de aula, trabalhar com o ritmo e o som. A música é um  facilitador na aprendizagem infantil. Ela pode ampliar  o conhecimento cognitivo da criança, além de ser um momento para ouvir e interagir com o  outro”.

Passarinho e Dois trovões são canções do disco que fizeram parte da apresentação para os pais, na despedida ao ano letivo. Os discos foram vendidos a valor simbólico para custear os gastos do projeto, sem obtenção de lucro.

“Durante os ensaios, produzimos microfones para as crianças entrarem no clima do show e mostramos referências como  Fred Mercury. Foi uma experiência muito rica, que fez as crianças reviverem vários assuntos que estudamos ao longo do ano”, declara Isabelle Sardinha, pedagoga da associação.

Edital para professores (encerrado)

Olá pessoal,

 

Edital para seleção de professores/as 2017

 

A Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de professores (as) e professores-substitutos (as) para 2017.

 

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 14 de novembro de 2016 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

 

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

 

Agradecimentos

O 3º Seminário da Vivendo e Aprendendo com o tema Democracia para que te quero: que partidos queremos tomar na educação?organizado pela Associação, proporcionou momentos intensos de debates, trocas e afetos.

Quinta-feira – dia 20 de outubro
No gramado, com vista para o parquinho, conversamos sobre a Vivendo e Aprendendo, seus princípios, criação e recriação e as práticas que envolve o cotidiano de uma escola democrática.

Sexta-feira – dia 21 de outubro
Uma chuva com vento nos levou a ficar mais juntinhos na sala verde e, na companhia de um delicioso caldo, aprofundamos o que é o projeto Escola sem Partido e
a ameaça que ele significa para a diversidade cultural, principalmente no que toca às questões de gênero e diversidade de famílias – que motiva esse projeto, para que não seja abordada nas escolas.

Sábado – dia 22 de outubro
As salas lilás, verde e rosa foram palcos para os nossos educadores ofereceram oficinas que bordando e dialogando sobre projetos, autonomia e gênero, nos inspiraram a sonhar com uma poesia educacional. Em um almoço feito a mãos de chef e no aconchego do galpão, a prosa prosseguia em uma roda. Mulheres contavam sobre seus partos e compartilhavam alegrias e desafios da maternidade. Os trabalhos continuaram à tarde. Algumas educadoras e coordenadoras de outras épocas, contaram mais sobre seus trabalhos acadêmicos. Momento que na práxis educacional pararam para registrar suas reflexões dessa experiência nostálgica.

Para colorir ainda mais o restinho do dia, ouvimos um pouco dos desafios do debate de gênero e a situação da legislação na pauta feminista. Enquanto isso, na sala verde, apresentavam-se projetos de educação inovadora costurando junto à Vivendo redes de conspirações em educação.

O Grupo Nzinga de Capoeira Angola misturando a ginga, a música, o canto e a prosa encerraram nosso dia, deixando a sensação que encontros assim precisam existir mais e sempre!

Abaixo seguem algumas fotos clicadas pelo querido Vinícius Armiliato

Inscrição do 3º Seminário da Vivendo

Olá Pessoal,

Já estamos bem próximos/as do 3º Seminário da Vivendo e Aprendendo com o tema Democracia para que te quero? Que partidos queremos tomar na educação.

Clique na imagem abaixo para conferir o edital e todas as dicas para sua inscrição e apresentação dos trabalhos.

Corram que as vagas estão acabando.