Diário de Bordo

“MEMÓRIAS E REFLEXÕES SOBRE O VIVIDO, PENSADO E SENTIDO”
Texto por: Alice Vieira (Ciclo 4A vesp.), Gabriel Fernandes (Ciclo 1 mat.) e Nazaré Picanço (Ciclo 4B vesp.).

Na assembleia geral da Vivendo do dia 22 de novembro de 2017, foi decidida, por meio de votação, a reestruturação dos mecanismos avaliativos das crianças e turmas e a periodicidade dos relatórios individuais. Um dos dispositivos avaliativos que adquiriram novos contornos, diante dessa nova frequência dos relatórios individuais, foi o Diário de Bordo

A Vivendo e Aprendendo, em toda sua trajetória de trabalho psicopedagógico, sempre utilizou os Diários de Bordo como ferramenta de registro, reflexão e inspiração para a criação de projetos e construção das devolutivas sobre o desenvolvimento das crianças nos diversos aspectos (socioafetivo, cognitivo e psicomotor).

Nesse ano de 2018, sistematizaremos e ampliaremos os diários como instrumentos avaliativos de extrema importância para enriquecer os conteúdos dos atendimentos às famílias e dos relatórios.

Durante a semana pedagógica, no período de 22 a 26 de janeiro de 2018, a equipe se reuniu para uma discussão sobre os Diários de Bordo, seus possíveis formatos e objetivos esperados. Para auxiliar nossa organização e entendimento sobre esse dispositivo avaliativo, respondemos perguntas norteadoras que inspiraram nossas reflexões. Sobre o exercício do registro no diário, nos questionamos: O que registrar? Como e onde? Quando? – Discussão importantíssima para nossa construção coletiva dentro da equipe pedagógica, e que possibilitará a construção também junto com as famílias, enriquecendo nosso trabalho horizontal, dentro da Associação.

A partir do texto “DIÁRIO DE BORDO: algumas reflexões no oceano da educação” de Alexandra Rodrigues houve o consenso de que essa ferramenta pedagógica é um grande auxílio para nossa prática cotidiana. Revisitar as nossas vivências com as turmas, nos possibilita exercitar o nosso olhar e escuta para os processos de desenvolvimento das crianças e práticas docentes. Os diários de bordo nos dão uma perspectiva processual do diálogo das atividades desenvolvidas com as Áreas do Conhecimento e o Mapa do Saber.

O exercício do registro e da reflexão é essencial para o trabalho do educador e da educadora, que exige presença e sensibilidade para compreender as nuances da dinâmica da coletividade dos ciclos e da individualidade de cada criança, dentro das vivências propostas pelos princípios filosóficos da Vivendo e Aprendendo.

O formato dos diários pode ser diversificado, contendo apontamentos, textos, esquemas, fotos, vídeos, poemas, desenhos, entre outros, desde que forneça uma base sólida para acessar os eixos curriculares, os elementos do desenvolvimento infantil e os momentos valiosos vividos por cada grupo e criança, bem como refletir e reinventar novas formas de educar!

No mais, continuemos escrevendo com amor e nos permitindo criar livremente, buscando estar integralmente presentes e afinados com as linguagens de nossos corações.

Alexandra Rodrigues: Quem é?

Alexandra foi mãe-associada da Vivendo e Aprendendo e hoje é uma grande colaboradora em nossas construções pedagógicas.

Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (2003), hoje é professora adjunta da UnB, atuando nos seguintes temas: escrita e subjetividade, memória educativa e formação docente, educação a distância, oficina da palavra, cultura da infância e experiências educacionais inovadoras.

Informações coletadas do Lattes em 27/11/2017

Letramento e Alfabetização: A busca pela construção de sentido

Texto por: Adriana Pereira (Ciclo 3 mat.), Rilda Gomes (Ciclo 3 vesp.) e Pablo Carneiro (Coord. Pedagógico)

Desde os primórdios da humanidade, é notado o desejo de se comunicar e retratar a forma de apreender o mundo, as pinturas rupestres e a escrita pictográfica trazem por meio da imagem esse “relato” da organização social daquele momento. Ambas não representam um código escrito, mas cumprem com o desejo humano de se comunicar. Os hieróglifos do Egito Antigo relatam a importância dada por aquela sociedade à vida após a morte e a necessidade de registrar seus ritos e, ainda hoje, desafiam estudiosos na busca de entendimento do seu significado. É um percurso de milhares de anos nessa procura de aperfeiçoamento da forma de se comunicar, temos hoje formas universais: os códigos escritos.

Quando observamos o desenvolvimento da escrita na criança, percebemos processos semelhantes ao percurso da humanidade, ou seja, desde o nascimento ela se comunica por meios de gestos, sons (balbucios), o olhar, fala e, posteriormente, pelo desenho. Rabiscos e garatujas vão se transformando em desenhos com formas menos abstratas. As crianças passam a ser capazes de reproduzir o mundo a sua volta e demonstrar sentimentos e interesses por meio de suas criações. A escrita surge mediante uma ampliação do desejo de se comunicar, por meio de um código convencional da sociedade, a qual está inserida.

As crianças da Vivendo estão incluídas numa sociedade letrada, com informações escritas em livros, gibis, jornais, revistas… Contudo, a escrita enquanto linguagem, não se dá sozinha, ela é repleta de significantes e significados, para que se compreendam desde sua função social, até a “rigidez” do código escrito. Isto é, há um percurso para que a escrita e a leitura sejam compreendidas como forma de se comunicar com o mundo.

No processo de letramento e alfabetização da Vivendo, há um olhar cuidadoso para o percurso cognitivo das crianças, que busca compreender as possibilidades de interação, criação, problematização e apropriação do mundo letrado. Por isso, nos Ciclos 1 e 2, a escrita do nome não propõe um modelo à ser reproduzido por elas, faz parte do processo de reconhecimento da identidade de cada uma delas. O nome, especialmente para as crianças pequenas, é um elemento que as levam a se diferenciarem do outro. Um exemplo é quando trazem novidades e as mostram na roda, usando seus nomes e não os pronomes possessivos: “Esse carro é do Caetano”, disse ele sobre seu objeto.

Uma celebração de qualquer educador e educadora no Ciclo 1 é ver as crianças começando a se chamar pelo nome, pois para nós isso é sinal de que a socialização entre elas está acontecendo, que a sala de aula é um espaço frutífero de construção de vínculos. As crianças presenciam constantemente seus/as educadores/as fazendo registros, convivem com a escrita cotidiana de seus nomes, em diversos suportes para artes, na escolha da culinária… E, por mais que ainda não associem inicialmente seu nome àquele código, o significado começa a ser atribuído.

Esse processo faz parte do letramento, a busca de construção de sentidos, criticidade e compreensão da função social da escrita. Por volta do Ciclo 3, as crianças descobrem que o sinal gráfico na escrita de seu nome não muda e são capazes de reconhecer esse registro. Elas mesmas começam a se interessar em reproduzir essa escrita, por ser uma marca identitária.

A perspectiva teórica da Psicogênese da Língua Escrita nos propõe uma investigação sobre o momento em que os educandos encontram-se em relação à escrita, para, a partir disso, propormos vivências e desafios de acordo com suas hipóteses, estimulando-os em sua investigação. Motivar a criança a ler o que escreveu, também a incentiva a pensar sobre sua escrita. Outra oportunidade interessante, é quando o educador indaga sobre como a criança identificou tal palavra, por exemplo: “Que nome é esse?” E mostra a ficha de nome escrito ALICE. A criança responde: “ALICE”. E o educador pergunta: “Porque você acha que é ALICE? A resposta da criança é: “Por que inicia com “A” e termina com “E”.

Isso mostra que a criança construiu uma hipótese sobre a constituição da escrita e a posição das letras em seu nome. Segundo Ana Teberosky e Isabel Solé, no texto “O Ensino e a Aprendizagem da Alfabetização: uma Perspectiva Psicológica (2002), as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 a 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial.

O acesso as letras se torna significativo quando relacionado às vivências e interesses das crianças, sendo apresentadas, respeitando o momento de cada criança, sua identidade e faixa etária, nunca desvinculada de sua função social: que é comunicar algo. Assim, a criança percebe que as letras são usadas para transmitir uma mensagem. Aos poucos, a medida que vão transitando por esse universo letrado, elas vão percebendo que existem “leis” que regem as convenções da escrita, propondo novos conflitos as suas hipóteses.

Por volta dos Ciclo 4 e 5, quando as crianças percebem a relação entre letra e som, e a compreensão da regra se amplia, é comum ouvirmos das crianças: “Não sei escrever!”, “Quero escrever do jeito certo.” Ou, “Não escrevi certo, como escrevo?” Nesse momento, é importante que estejamos ao lado das crianças, sensíveis às suas necessidades emocionais, sustentando os tênues limites de suas incertezas, impulsionando-as em suas hipóteses, desafiando novos saberes e valorizando suas conquistas. Menos preocupados com o código linguístico, mas com proporcionar uma atmosfera acolhedora e instigante, que convide as crianças a “viajarem” pelo vasto universo das expressões e representações. Na Vivendo e Aprendendo, buscamos valorizar as construções das crianças, dizendo que podem escrever do seu jeito. Tudo isso acontece para que sejam respeitadas e acolhidas em seus processos, mas sem deixar de estimular e buscar meios criativos de construir novas aprendizagens.

A descoberta da natureza fonológica do sistema linguístico, a relação fonema/grafema, impulsionam registros muito interessantes e cobertos da identidade de cada criança. Por exemplo: “EIT” (LEITE); “OAT” (TOMATE); “OTEA” (HORTELÃ); “AEIE” (ALECRIM); “OAGO” (MORANGO); “OO” (COPO).  Emília Ferreiro e Ana Teberosky classificam esse momento de hipótese silábica, na tentativa de atribuir valor sonoro a cada fonema pronunciado. Posteriormente, as crianças percebem que uma letra não é suficiente para reproduzir o som daquela sílaba e vão explorando novas percepções, consoantes e vogais, encontros consonantais, algumas regras ortográficas, pois sabem que as palavras nem sempre são escritas como soam.

Um caso interessante de uma criança de ciclo 5, foi com a escrita da palavra AÇAÍ, que ela escreveu com S, mas quando trouxe o alimento, viu na embalagem que estava escrito com Ç. A mesma perguntou por quê e começamos a apresentar algumas regras gramaticais e assim tornamos nossa sala de aula um ambiente alfabetizador e profundamente viabilizador de novos conhecimentos.

O papel do /a educador /a no processo de desenvolvimento das crianças, não apenas no letramento e alfabetização, é de quem investiga, investe, instiga, cria, apresenta, acolhe e avalia. Esse é um caminho cíclico, que tem em si uma postura ética e comprometida com a infância, desde os saberes simbólicos aos concretos, não atribuindo hierarquia entre eles. Assim, brincar de faz de conta e escrever um texto, devem ter o mesmo investimento e valor na infância.

Edital para reserva de professoras/es (encerrado)

ATUALIZAÇÃO – as inscrições para este edital foram encerradas
Olá pessoal,

Edital para cadastro de reserva para professoras/es edição 2018

Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de professores (as) e professores-substitutos (as) para 2018.

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 15 de abril de 2018, às 23h59min e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

Edital para professoras/es cadastro de reserva 2018

Chá de livros 2018

Nosso chá de livros aconteceu na tarde de sábado, 24 de março. Mas e o que é o Chá de livros? É um evento pedagógico da Vivendo realizado anualmente com o objetivo de valorizar a cultura literária infantil e fomentar o desejo e a curiosidade das crianças pela leitura. É um dia também de encontro entre as famílias e celebração da nossa associação com atividades, contação de histórias, teatro, restauração de livros, oficinas e quitutes deliciosos!

Nas semanas que antecedem o Chá, as turmas trabalham diferentes obras literárias, produzem decorações para o evento, separam os livros que precisam ser restaurados, refletem e dialogam sobre o cuidado com os nossos livros.

Para o Chá, os/as educadores/as vão a livrarias e fazem uma lista de títulos significativos para cada turma, pensando em temas importantes para o grupo, em diversidade de gênero, racial, de tipologia textual e que auxiliem nas investigações dos projetos.

Na edição de 2018, destacamos a produção literária produzida pelas escritoras e ilustradoras brasilieiras e no dia do c, tivemos uma programação cheia de atividades: espaços de contação de histórias, brincadeiras com fantoches, teatro de sombras, oficinas de restauração e dedicatória, dentre outros. Fotos por Juliana Caribé (mãe associada)

Edital para reservas de estágio 2017/2018 (encerrado)

Olá pessoal,
Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de reservas para estagiárias e estagiários – edição 2017/2018.

 

A entrega da documentação (currículo + carta de intenções) para participação da seleção vai até o dia 29 de outubro de 2017 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

ATUALIZAÇÃO – as inscrições para este edital foram encerradas

ATUALIZAÇÃO: Retificação do edital – item 6. Cronograma

DATA Etapa do Processo Seletivo
29/10/17, às 23h59 Data limite para envio do CV e da Carta de Intenções.
13/11/2017 a 01/12/2017 Período em que acontecerão os três turnos de observação
7 dias consecutivos contados a partir da data da última observação Prazo limite para a entrega do relatório de observação
16/12/17 Data das atividades presenciais
Dezembro/17 Divulgação do Resultado Final

Edital para reserva de estágio 2017/2018

Edital para jovem aprendiz (encerrado)

A Vivendo e Aprendendo abriu o processo de seleção visando contratar jovem aprendiz para trabalhar em funções auxiliares administrativas. Se você tem interesse em participar ou conhece alguém para indicar, observe os requisitos do edital e fique atento aos prazos.

Atenção: o prazo para inscrição encerrou no dia 08 de outubro de 2017

Edital para Jovem Aprendiz

Festa da Cultura Popular 2017

Texto e fotos por Pedrinho Fonseca (pai associado da Vivendo e Aprendendo)

O lugar somos nós. Se lá não estamos, o lugar é imaginação. Nosso pensamento tentando habitar um espaço desconhecido com cores, árvores, bancos, brinquedos, um sol que se põe no horizonte. Mas quando lá estamos, o lugar passa a existir. E aí o pensamento, livre deste trabalho imaginativo, ocupa-se em pensar em como podemos ocupá-lo. Juntos, aquele lugar – que existe – e nós, nos tornamos um.

No sábado, dia 26 de agosto de 2017, a Vivendo e Aprendendo ocupou a Praça do Compromisso para celebrar a Festa da Cultura Popular – pensada, organizada e festejada por toda a comunidade da escola. A cultura popular, queiramos ou não, nos habita. Somos nós o lugar para que ela exista (e resista). E um inexiste sem o outro. Estamos tão ligados (nós na cultura e ela em nós) que toda vez que uma força obscura e temerosa quer nos enfraquecer, o que faz? Tenta apagar a nossa cultura, a nossa memória, a nossa existência.

Ocupar a praça, no sábado, foi transpor a imaginação, levar o pensamento para passear, junto com tantos outros pensamentos – similares, distintos, iguais, opostos. E do conjunto de encontro dos nossos pensamentos, na praça, ocupamo-nos de fazer existir e resistir a cultura popular. Uma festa se fez em nós.

 

 

 

 

Festa da Vivendo – maio 2017

Festa é na gente. Parece que é do lado de fora – nas lâmpadas, na música, nas cores, cheiros e sabores de um espaço que se ocupa quando nos reunimos.

Parece, mas não é. Festa é dentro. É quando apesar de você, amanhã há de ser outro dia – Chico já havia nos dito. É quando a gente olha ao redor e vê que o mundo anda roto – mas a esperança ainda mora em nós. É quando a gente ainda acredita no amor e desacredita no ódio.

Festa é na gente que ainda se abraça sem motivo, sorri gratuitamente, beija sem pensar. E aqui, bem dentro da gente, havia uma festa que não silenciava. A festa que nos mobiliza, nos coloca juntos para pensar, discutir um tema, conceber a decoração, preparar o nosso espaço cotidiano para receber quem sequer já veio aqui.

Foram semanas de festa na gente. Semanas de muito trabalho. Cada um fazendo a sua parte, todos juntos fazendo a parte maior: tirar a festa de dentro da gente e dividir com o mundo lá fora. A casa nossa é vossa. Venham. A festa da Vivendo e Aprendendo é essa festa na gente, quando cresce tanto que não cabe mais em nós, quando não se contenta em ficar dentro e ganha vida, convida.

Bem-vindas, bem-vindos. A festa é na gente.

Durante a festa, o fotógrafo e pai de alunas Pedrinho Fonseca registrou momentos num Lambe-Lambe improvisado. O resultado de algumas fotos estão neste álbum. E sim, o lindo texto acima também é dele.

Edital para reserva de estagiárias/os (encerrado)

Olá pessoal,

A Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de reservas para estagiárias e estagiários – edição 2017.

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 28 de maio de 2017 e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

ATUALIZADO: o edital foi encerrado!