Projetos Pedagógicos

Caros amigos e amigas,

Falemos agora sobre o projeto pedagógico “Floresta, Lendas e Mitos”. Desenvolvido com a turminha do Ciclo 5 Matutino e com as educadoras Nazaré Picanço e Lia Lucas. Boa leitura!

============================================

Introdução

No Mutirão do Parque, as crianças do ciclo 5 receberam uma missão do coordenador pedagógico: virar “guardiões da floresta Vivendo e Aprendendo”, cuidando das mudas recém-plantadas na associação. As crianças rapidamente se envolveram com a ideia e passaram a defender aquelas novas vidas. Desde o primeiro mês de aula, a turma estava muito envolvida nas aventuras e histórias contadas em sala, o que nos fez pensar em um projeto que unisse esses interesses. A partir de então, a floresta virou o palco no qual realizamos as construções sobre as lendas, mitos e identidade.

Objetivos

  • Possibilitar o desenvolvimento de suas identidades e afetividades;
  • Formar indivíduos autônomos, respeitadores, admiradores do conhecimento e conscientes da importância de sua participação no mundo;
  • Ampliar as visões das crianças sobre o mundo natural e social;
  • Trabalhar as diversas áreas do conhecimento por meio do interesse lúdico;
  • Proporcionar espaços de auto-expressão, ligados às memórias afetivas das crianças;
  • Ultrapassar as fronteiras da floresta da Vivendo, ampliando a percepção sobre a imensidão das florestas brasileiras.
Projeto pedagógico Floresta, Lendas e Mitos

Projeto pedagógico Floresta, Lendas e Mitos

Desenvolvimento

Começamos o projeto com o processo de adaptação e de construção do grupo. Em seguida, passamos a fazer ligações entre as áreas de conhecimento e o lúdico. Enviamos cartas ao Curupira, compartilhando o dever de cuidar das florestas. A partir daí, culinárias (como o dia do açaí), faz-de-contas de índios e de animais da floresta foram se tornando atividades corriqueiras e positivas. Tudo passou a fazer sentido para elas, interligando natureza, preservação e cultura indígena entre si, com a consciência da importância do cuidar. A turma passou a alertar as professoras sobre outras crianças que estariam “matando a natureza”. Logo, elas mesmas passaram a mediar essas situações. As crianças de nossa sala também deixaram de arrancar folhas e bater nas árvores, passando a cuida-las.

A última fase do nosso projeto foi desenvolver atividades referentes a conhecimentos sobre a floresta Amazônica, destacando as sociedades indígenas e as relações destas com a mata. A floresta é o lugar em que se guarda a memoria daquela sociedade (tal como a Vivendo é para a memoria do nosso grupo). O pai de uma das crianças nos ajudou construindo o mapa do Brasil e da Amazônia, com os territórios indígenas, estados e alguns rios do país.

Neste momento, também aproveitamos a oportunidade de conhecer o Laboratório de Línguas Indígenas (LALI-UNB). Nele pudemos conhecer a Susi, que mostrou para as crianças objetos indígenas e documentários. O contato com Susi também ajudou a desconstruir estereótipos. Quando Lia afirmou que ela era índia, as crianças se entreolharam e disseram: “Mas ela está aqui, e não na floresta”. Nós então afirmamos: “Mas os traços do rosto, a cor da pele, o cabelo continuam com ela, mesmo morando aqui. Sabem o que é mais importante? É ela dizer que é uma índia. Porque, se ela acha que é índia, é porque ela adora ser assim”.

Por fim, fechamos o projeto com uma exposição dos trabalhos das crianças e apresentação de um teatro ao ar livre, juntando, assim, as historias de mitos e lendas com o faz de conta.

Conclusão

Primeiramente, ficamos muito contentes com o processo, o desenvolvimento e os resultados práticos e reflexivos do projeto “Floresta, Lendas e Mitos”. Isso também se devendo à ampla participação das famílias. Sentimos que, grande parte dessa alegria se deu pelo fato de valorizarmos, sentirmos e impulsionarmos a participação diária das crianças na construção do projeto. Da mesma forma, vemos que isso somente foi possível por que tivemos sensibilidade em colocar o centro de interesse do grupo como motor das atividades e, assim, relacionamos elas às áreas do conhecimento.

Percebemos que, a partir do momento em que começamos a trabalhar o cuidado com a natureza – conscientizar as crianças sobre sua responsabilidade com o mundo, os resultados foram logo aparecendo: o cuidado que as crianças começaram a ter pelas árvores da Vivendo, bem como os insetos, impulsionaram que elas se mobilizarem a alertar todas nossas crianças para a necessidade de ter carinho com a natureza.

No entanto, sentimos que algumas atividades que propomos no projeto não foram realizadas. Isso nos mostra o quanto o processo não se baseia tanto em nossas ideias e desejos, como educadoras. Podemos ver isso, então, como lembrete constante em nosso fazer educativo: saber que o processo das crianças é essência do nosso trabalho, não sendo isso secundário em nenhum momento.

Comenta aí =)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s