Festa Junina 2018

Domingo, 17 de junho, ocorreu a aguardada festa junina da Vivendo e Aprendendo. A festa foi realizada no bucólico espaço da associação que, com seu amplo pátio arborizado, suas casinhas coloridas e a criativa decoração dos professores, se tornou um verdadeiro arraial.

Durante a festa, foram promovidas muitas brincadeiras típicas de festa junina, como a pescaria, a corrida de saco e jogos de arremesso. Mas o auge do evento deu-se com a apresentação do artista Edy Natureza que, em cima de pernas de pau e de fantasia, se transformou em um pica-pau gigante. As crianças foram à loucura, correndo pelo espaço da escola inteiro (umas atrás da ave, outras fugindo dela), com muitos risos e alegria, como em qualquer festa tem de ser.

Por fim, encerramos a festa com uma grande quadrilha, regada a muitas risadas e uma deliciosa fogueira em nosso jardim.

Texto e fotos por Paulo Frederico

 

 

 

O embalo da rede: Quando começa o desenvolvimento da criança?

Texto por: Pablo Martins Carneiro, Diego Barrios e Marianna Mialski

No dia em que se soube, já estava a figurar nas remotas inscrições simbólicas daqueles que ouviram a notícia. Rita está grávida! Grávida, grávida… Ali, naquele momento, repleto do muito antes cultural e do tanto futuro desejoso, iniciou-se o desenvolvimento de uma criança.

A barriga, agora alvo dos olhares, sonhos, medos, projeções, desejos de união e solidão, se tornou linguagem comum a todos. E o estatuto de mãe obrigou Rita e se reinventar como tal. Foi duro, lindo, feio, maravilhoso, incandescente, real, simbólico e imaginário. Havia agora ela-mãe, ele-namorado-pai, mãe-avó, pai-avô, eu-mulher, eles-homens, barriga-bebê, tudo e todos ao mesmo tempo, bordando uma história de dentro para fora daquela barriga.

Sozinha no quarto, em frente ao espelho, ouvindo música, nas conversas com o namorado-pai, nos sermões da mãe-avó, no silêncio-barulhento do pai-avô, na leitura de livros infantis, Rita acolheu em si o quantum do desenvolvimento. E foi exatamente envolvida nessa colcha simbólica que nasceu Luísa. Esperada e falada por todos e todas, com sua história pré-contada.

Luísa existia onde não estava e estava onde não existia. E ali, aquele montinho de fome, sono e reflexos primordiais, foi acolhida pelo Outro primordial, que seguiria nutrindo-a das primeira marcas de humanidade. Rita, de olhos marejados de lágrimas, olhou para Luísa e viu que era recebida por um sorriso. Daquele dia em diante, capturado pela romântica semântica da linguagem de Rita, aquele esticar de músculo se tornou sorriso, sustentado pelo desejo da mãe e o amor da filha.

Assim, dia após dia, muitos assumiram a função de atribuir significado às expressões de Luísa, ao mesmo tempo que pressupunham e lançavam ao futuro seus desejos de desenvolvimento. Luísa, por sua vez, se fundia a uns, se diferenciava de outros e se descobria sujeito. Houve dor, houve presença, houve falta. Houve.

Quando uma criança nasce, ela presentifica um desejo anterior. As expectativas criadas a partir do filho imaginado começam a se tornar palpáveis e reais. A relação de Rita com Luísa foi iniciada nos primórdios de sua própria vida, em brincadeiras com bonecas e outros faz de contas. Tudo o que viveu até o momento do nascimento da sua pequena, carrega de significado as infinitas possibilidades desse encontro, tudo o que a relação pode estabelecer.

Para que uma criança se desenvolva, precisa estar enlaçada pelo desejo, pela suposição de sua capacidade, pelo lançamento de possibilidades de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, necessita de um Outro que reconheça e sustente suas conquistas, numa captura significante que atribui significado a elas. A aprendizagem reconhecida e valorizada pelo grande Outro, se posiciona numa rede significante e pulsional que a impulsiona e sustenta como parte do repertório simbólico da criança. Em contrapartida, o estímulo em direção a qualquer ensinamento por parte dos adultos, se dá pelo anseio de que a criança aprenda, derivado da pressuposição de que é capaz de aprendê-lo.

Na ausência de um Outro primordial que suponha e estimule o desenvolvimento e a constituição de um sujeito, nada encontra lugar para florescer. O desejo do Outro tem seu lugar em viabilizar o desenvolvimento. Para isso, é preciso que o outro esteja. Esteja presente. Esteja envolvido. Esteja disponível.

Em nossa inquietante conversa com a professora Zulema Garcia Yañes, fonoaudióloga, psicomotricista e Diretoria do Centro Lydia Coriat de Porto Alegre, pudemos discutir importantes implicações de tais conceitos psicanalíticos para o campo da Educação e, assim, pensar no delicado lugar do adulto nos processos de desenvolvimento infantil. Uma dessas implicações diz respeito à postura ética do educador diante da relação com a criança. Explicamos melhor.

Assim como a mãe e o pai, ou aqueles e aquelas que assumem tais funções, o educador convida a criança ao mundo, cria expectativas de seu aprendizado, supõe o que ela, enquanto alteridade, pode e deve saber. Por outro lado, desejamos, como educadores e educadora, que as crianças nos acompanhem em nossas viagens, que participem do mundo simbólico que criamos e trazemos para a sala de aula em nossas falas, intervenções, planejamentos e brincadeiras.

Portanto, a postura ética se observa uma vez que o educador acredita na criança, é capaz de fazer essa suposição sobre o desenvolvimento do seu aluno e assume uma postura desejante em relação a esse processo de desenvolvimento. Tal ímpeto atua como um abraço, um colo simbólico em que a criança encontra espaço para sua expressão autêntica.

Para concluir, trazemos uma frase colocada por Zulema que nos inspira a construir uma educação pautada na ética da relação com o outro. Diz ela: Para que uma criança esteja atenta ao mundo, o adulto precisa estar atento a ela. Busquemos estar atentos às nossas crianças, praticando o respeito por sua originalidade e buscando criar as condições para que elas cresçam confiantes de ser quem são.

Edital para consultoria (encerrado)

Última atualização: RESULTADO PARCIAL NO LINK ABAIXO!

Resultado parcial do Edital da Vivendo e Aprendendo

Olá pessoal,

Edital para seleção de consultoria (pessoa física ou jurídica), na modalidade produto, para prestar serviços de moderação e mediação das atividades de elaboração e construção coletiva do Projeto Político Pedagógico da Vivendo e Aprendendo.

O prazo para inscrição inicia-se em 24 de maio de 2018 às 00h00 e se encerra em 11 de junho de 2018 às 0h00 (data de entrega atualizada). A documentação exigida deverá ser encaminhada ao e-mail diretoria@vivendoeaprendendo.org.br, com o assunto “Seleção para moderação e mediação da elaboração e construção coletiva do PPP e RE”.

Confiram o edital abaixo e pedimos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

Retificação do Edital de Consultoria na Vivendo e Aprendendo (14-05-2018)

Edital de Consultoria na Vivendo e Aprendendo

Wilma Lino Dutra: A menina perdida que se encontrou e hoje ensina o que é o amor

Aos 47 anos, ela conta que aprender a ler foi uma de suas maiores emoções durante toda a sua vida: “Acho que por isso depois me tornei professora”, conta em entrevista ao HuffPost Brasil.

De onde vinha o amor? Ela não sabia. E, de fato, ela demorou muito tempo para reconhecê-lo. Ainda pequena, se viu sozinha, encontrada nas ruas da Ceilândia, cidade do Distrito Federal, sem lembrar do próprio nome ou endereço, apenas o nome dos pais, Albertina e Pedro, na memória. Foi levada para um orfanato com sete anos e lá teve nome e data de nascimento inventados. Nascia ali, Wilma Lino Dutra, hoje com 47 anos. Uma mulher que passou por diversos processos até descobrir quem realmente era, mesmo que não soubesse, de fato, quem fora antes. E hoje, a professora de uma sala com paredes laranja, que sai da porta no fim do dia com sorriso largo no rosto, óculos de armação tie-dye azul, cabelos curtos claros, short jeans e regata, sabe, sim, amar.

Ela tem pouca memória de infância. Consegue lembrar da mãe, que tinha família grande, que um dos seus irmãos já tinha sumido, que chorava quando a mãe saía pra trabalhar, que tinha o apelido de Tuta do qual não gostava. Lembra também do orfanato, de brincar, de subir no abacateiro, de plantar morango, da escola e dos amigos. Aprendeu a ler com 11 anos e nunca esqueceu o momento em que conseguiu entender as palavras que via.

Wilma Lino Dutra é a 73ª entrevistada do projeto “Todo Dia Delas”, que celebra 365 Mulheres no HuffPost Brasil. 

“Fiz a escola com muita dificuldade e tinha muita vergonha disso. Mas me lembro muito bem do dia em que consegui ler, uma das freiras que me ensinava chorou de emoção, me abraçou e me beijou, e me disse “Wilma, você aprendeu a ler”. Foi uma das cenas mais marcantes da minha vida, acho que por isso depois me tornei professora”.

Para encontrar seu caminho, no entanto, a jornada foi longa. Aos 12 anos foi “adotada” por uma família, como era muito comum na década de 70 no Brasil, ela foi para casa, na verdade, trabalhar. “Era aquela coisa, eu tinha estudo, tinha dentista uma vez por ano, ganhava presente, mas ela tinha filhas com idade próxima a minha e elas não faziam nada”. Mais tarde a filha da “mãe postiça” a levou pra casa pra cuidar do filho dela. Ela trabalhava como babá de dia, e estudava de noite. Quando completou 18 anos, uma senhora que sempre encontrava com ela no parquinho com as crianças lhe ofereceu um emprego para lavar, passar e cozinhar, mas desta vez ela teria um salário. Continuou a estudar, pensou em fazer pedagogia, mas acabou indo pra Contabilidade.

Aprender a ler e conhecer histórias de mulheres tão incríveis quanto ela mesma só fez Wilma crescer. Hoje, a menina é mulher. E professora.

Foi com outra família para Florianópolis, mas resolveu voltar para Brasília. Foi acolhida por uma amiga, que ela considera como irmã, da época do orfanato. Trabalhou com o que podia, em padarias e depois como vendedora. Até que a patroa a indicou para uma vaga para ser auxiliar de professora na escola da filha. “Ela dizia que eu tinha jeito com crianças e eu pensei: não sei nem ler direito, como vou ser professora? Quando cheguei lá eram seis vagas com 18 pessoas concorrendo. Eu achei que não ia conseguir, todo mundo de universidade e eu ainda falava errado! Mas passei pelo processo seletivo e nem acreditei quando fui selecionada. Chorei muito”.

Na escola cheia de casas coloridas, no centro de Brasília, quase ao lado da Esplanada dos Ministérios, ela cresceu, viveu e aprendeu. No início foi difícil, ela era tímida e tinha dúvidas se conseguiria. Com um modelo mais alternativo de educação, baseada no diálogo e na escuta das crianças, ela acabou por se descobrir.

“O início foi muito difícil, mas acho que sofri foi pra me auto-conhecer mesmo. Porque tudo que é seu sai no processo de se tornar professora. E na escola, as pessoas eram sinceras comigo, me diziam não é assim que faz, mas também me perguntavam o que eu achava. Então, a impressão que eu tive era que eu podia ser eu mesma. A Wilma brava, a Wilma cheia de coragem, que tinha ideias, que era criativa”.

Lá se vão duas décadas na mesma escola, a Vivendo e Aprendendo, reconhecida pelo MEC como modelo de educação inovadora, com alunos da educação infantil indo e vindo, e foi nessa convivência que Wilma descobriu o amor. “Nunca ninguém tinha dito que me amava ou sequer se gostava de mim e eu escutei isso a primeira vez na escola. Não me lembro sequer dos meus pais terem me dito isso. E quando ouvi pela primeira vez eu pensei: como as pessoas podem se amar? Como isso funciona? Mas eu aprendi o que era. Aprendi a me amar, aprendi a lutar pelo que eu queria, aprendi a ser mais forte e falar o que eu penso e e aceitar as pessoas do jeito que elas são. Isso sim é amor”, conta com lágrimas nos olhos.

Foi na escola no centro de Brasília que ela aprendeu a se identificar com ela mesma.

Foi nesse processo que ela conseguiu se olhar e se ver de uma forma mais gentil. Foi longo e dolorido para alguém que sempre ouvi tantas coisas ruins de si mesma, se ver no espelho com mais amor. “Eu cresci achando que eu era um pessoa feia, gorda, burra. E na escola eu comecei a escutar elogios, como você é bonita, forte e corajosa, coisas que eu sequer via em mim. Então eu comecei a me aceitar, a entender que sim sou bonita, que eu podia estudar e aprender, que eu era inteligente. Isso me ensinou a ser mulher e não ter vergonha de falar ou de vestir como eu que eu gosto”, diz a professora, que enquanto trabalhava fez o curso de pedagogia.

Foi na escola no centro de Brasília que ela aprendeu a se identificar com ela mesma, inclusive com o nome escolhido no antigo orfanato, que na verdade, era o da irmã que ela lembrava quando chegou lá. “Teve uma época que eu sentia muita falta da minha mãe e eu demorei a aceitar essa parte da minha história, da minha família. E hoje uma das coisas que eu mais gosto é quando eu escuto as crianças falarem meu nome, e elas dizem com calma… Wiillma. Porque quando a criança te reconhece pelo nome é uma das maiores demonstrações de carinho. Então, essa sou eu, esse é meu nome e tenho orgulho dele”.

Wilma segura em suas mãos o livro “Histórias e Ninar para Garotas Rebeldes”, que conta fábulas de mulheres incríveis para meninas.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Tatiana Sabadini
Imagem: Tatiana Reis
Edição: Andréa Martinelli
Figurino: C&A
Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC
Matéria original: https://www.huffpostbrasil.com/2018/05/18/wilma-lino-dutra-a-menina-perdida-que-se-encontrou-e-hoje-ensina-o-significado-do-amor_a_23434627/

O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo.
Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC

Diário de Bordo

“MEMÓRIAS E REFLEXÕES SOBRE O VIVIDO, PENSADO E SENTIDO”
Texto por: Alice Vieira (Ciclo 4A vesp.), Gabriel Fernandes (Ciclo 1 mat.) e Nazaré Picanço (Ciclo 4B vesp.).

Na assembleia geral da Vivendo do dia 22 de novembro de 2017, foi decidida, por meio de votação, a reestruturação dos mecanismos avaliativos das crianças e turmas e a periodicidade dos relatórios individuais. Um dos dispositivos avaliativos que adquiriram novos contornos, diante dessa nova frequência dos relatórios individuais, foi o Diário de Bordo

A Vivendo e Aprendendo, em toda sua trajetória de trabalho psicopedagógico, sempre utilizou os Diários de Bordo como ferramenta de registro, reflexão e inspiração para a criação de projetos e construção das devolutivas sobre o desenvolvimento das crianças nos diversos aspectos (socioafetivo, cognitivo e psicomotor).

Nesse ano de 2018, sistematizaremos e ampliaremos os diários como instrumentos avaliativos de extrema importância para enriquecer os conteúdos dos atendimentos às famílias e dos relatórios.

Durante a semana pedagógica, no período de 22 a 26 de janeiro de 2018, a equipe se reuniu para uma discussão sobre os Diários de Bordo, seus possíveis formatos e objetivos esperados. Para auxiliar nossa organização e entendimento sobre esse dispositivo avaliativo, respondemos perguntas norteadoras que inspiraram nossas reflexões. Sobre o exercício do registro no diário, nos questionamos: O que registrar? Como e onde? Quando? – Discussão importantíssima para nossa construção coletiva dentro da equipe pedagógica, e que possibilitará a construção também junto com as famílias, enriquecendo nosso trabalho horizontal, dentro da Associação.

A partir do texto “DIÁRIO DE BORDO: algumas reflexões no oceano da educação” de Alexandra Rodrigues houve o consenso de que essa ferramenta pedagógica é um grande auxílio para nossa prática cotidiana. Revisitar as nossas vivências com as turmas, nos possibilita exercitar o nosso olhar e escuta para os processos de desenvolvimento das crianças e práticas docentes. Os diários de bordo nos dão uma perspectiva processual do diálogo das atividades desenvolvidas com as Áreas do Conhecimento e o Mapa do Saber.

O exercício do registro e da reflexão é essencial para o trabalho do educador e da educadora, que exige presença e sensibilidade para compreender as nuances da dinâmica da coletividade dos ciclos e da individualidade de cada criança, dentro das vivências propostas pelos princípios filosóficos da Vivendo e Aprendendo.

O formato dos diários pode ser diversificado, contendo apontamentos, textos, esquemas, fotos, vídeos, poemas, desenhos, entre outros, desde que forneça uma base sólida para acessar os eixos curriculares, os elementos do desenvolvimento infantil e os momentos valiosos vividos por cada grupo e criança, bem como refletir e reinventar novas formas de educar!

No mais, continuemos escrevendo com amor e nos permitindo criar livremente, buscando estar integralmente presentes e afinados com as linguagens de nossos corações.

Alexandra Rodrigues: Quem é?

Alexandra foi mãe-associada da Vivendo e Aprendendo e hoje é uma grande colaboradora em nossas construções pedagógicas.

Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília (2003), hoje é professora adjunta da UnB, atuando nos seguintes temas: escrita e subjetividade, memória educativa e formação docente, educação a distância, oficina da palavra, cultura da infância e experiências educacionais inovadoras.

Informações coletadas do Lattes em 27/11/2017

Letramento e Alfabetização: A busca pela construção de sentido

Texto por: Adriana Pereira (Ciclo 3 mat.), Rilda Gomes (Ciclo 3 vesp.) e Pablo Carneiro (Coord. Pedagógico)

Desde os primórdios da humanidade, é notado o desejo de se comunicar e retratar a forma de apreender o mundo, as pinturas rupestres e a escrita pictográfica trazem por meio da imagem esse “relato” da organização social daquele momento. Ambas não representam um código escrito, mas cumprem com o desejo humano de se comunicar. Os hieróglifos do Egito Antigo relatam a importância dada por aquela sociedade à vida após a morte e a necessidade de registrar seus ritos e, ainda hoje, desafiam estudiosos na busca de entendimento do seu significado. É um percurso de milhares de anos nessa procura de aperfeiçoamento da forma de se comunicar, temos hoje formas universais: os códigos escritos.

Quando observamos o desenvolvimento da escrita na criança, percebemos processos semelhantes ao percurso da humanidade, ou seja, desde o nascimento ela se comunica por meios de gestos, sons (balbucios), o olhar, fala e, posteriormente, pelo desenho. Rabiscos e garatujas vão se transformando em desenhos com formas menos abstratas. As crianças passam a ser capazes de reproduzir o mundo a sua volta e demonstrar sentimentos e interesses por meio de suas criações. A escrita surge mediante uma ampliação do desejo de se comunicar, por meio de um código convencional da sociedade, a qual está inserida.

As crianças da Vivendo estão incluídas numa sociedade letrada, com informações escritas em livros, gibis, jornais, revistas… Contudo, a escrita enquanto linguagem, não se dá sozinha, ela é repleta de significantes e significados, para que se compreendam desde sua função social, até a “rigidez” do código escrito. Isto é, há um percurso para que a escrita e a leitura sejam compreendidas como forma de se comunicar com o mundo.

No processo de letramento e alfabetização da Vivendo, há um olhar cuidadoso para o percurso cognitivo das crianças, que busca compreender as possibilidades de interação, criação, problematização e apropriação do mundo letrado. Por isso, nos Ciclos 1 e 2, a escrita do nome não propõe um modelo à ser reproduzido por elas, faz parte do processo de reconhecimento da identidade de cada uma delas. O nome, especialmente para as crianças pequenas, é um elemento que as levam a se diferenciarem do outro. Um exemplo é quando trazem novidades e as mostram na roda, usando seus nomes e não os pronomes possessivos: “Esse carro é do Caetano”, disse ele sobre seu objeto.

Uma celebração de qualquer educador e educadora no Ciclo 1 é ver as crianças começando a se chamar pelo nome, pois para nós isso é sinal de que a socialização entre elas está acontecendo, que a sala de aula é um espaço frutífero de construção de vínculos. As crianças presenciam constantemente seus/as educadores/as fazendo registros, convivem com a escrita cotidiana de seus nomes, em diversos suportes para artes, na escolha da culinária… E, por mais que ainda não associem inicialmente seu nome àquele código, o significado começa a ser atribuído.

Esse processo faz parte do letramento, a busca de construção de sentidos, criticidade e compreensão da função social da escrita. Por volta do Ciclo 3, as crianças descobrem que o sinal gráfico na escrita de seu nome não muda e são capazes de reconhecer esse registro. Elas mesmas começam a se interessar em reproduzir essa escrita, por ser uma marca identitária.

A perspectiva teórica da Psicogênese da Língua Escrita nos propõe uma investigação sobre o momento em que os educandos encontram-se em relação à escrita, para, a partir disso, propormos vivências e desafios de acordo com suas hipóteses, estimulando-os em sua investigação. Motivar a criança a ler o que escreveu, também a incentiva a pensar sobre sua escrita. Outra oportunidade interessante, é quando o educador indaga sobre como a criança identificou tal palavra, por exemplo: “Que nome é esse?” E mostra a ficha de nome escrito ALICE. A criança responde: “ALICE”. E o educador pergunta: “Porque você acha que é ALICE? A resposta da criança é: “Por que inicia com “A” e termina com “E”.

Isso mostra que a criança construiu uma hipótese sobre a constituição da escrita e a posição das letras em seu nome. Segundo Ana Teberosky e Isabel Solé, no texto “O Ensino e a Aprendizagem da Alfabetização: uma Perspectiva Psicológica (2002), as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 a 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial.

O acesso as letras se torna significativo quando relacionado às vivências e interesses das crianças, sendo apresentadas, respeitando o momento de cada criança, sua identidade e faixa etária, nunca desvinculada de sua função social: que é comunicar algo. Assim, a criança percebe que as letras são usadas para transmitir uma mensagem. Aos poucos, a medida que vão transitando por esse universo letrado, elas vão percebendo que existem “leis” que regem as convenções da escrita, propondo novos conflitos as suas hipóteses.

Por volta dos Ciclo 4 e 5, quando as crianças percebem a relação entre letra e som, e a compreensão da regra se amplia, é comum ouvirmos das crianças: “Não sei escrever!”, “Quero escrever do jeito certo.” Ou, “Não escrevi certo, como escrevo?” Nesse momento, é importante que estejamos ao lado das crianças, sensíveis às suas necessidades emocionais, sustentando os tênues limites de suas incertezas, impulsionando-as em suas hipóteses, desafiando novos saberes e valorizando suas conquistas. Menos preocupados com o código linguístico, mas com proporcionar uma atmosfera acolhedora e instigante, que convide as crianças a “viajarem” pelo vasto universo das expressões e representações. Na Vivendo e Aprendendo, buscamos valorizar as construções das crianças, dizendo que podem escrever do seu jeito. Tudo isso acontece para que sejam respeitadas e acolhidas em seus processos, mas sem deixar de estimular e buscar meios criativos de construir novas aprendizagens.

A descoberta da natureza fonológica do sistema linguístico, a relação fonema/grafema, impulsionam registros muito interessantes e cobertos da identidade de cada criança. Por exemplo: “EIT” (LEITE); “OAT” (TOMATE); “OTEA” (HORTELÃ); “AEIE” (ALECRIM); “OAGO” (MORANGO); “OO” (COPO).  Emília Ferreiro e Ana Teberosky classificam esse momento de hipótese silábica, na tentativa de atribuir valor sonoro a cada fonema pronunciado. Posteriormente, as crianças percebem que uma letra não é suficiente para reproduzir o som daquela sílaba e vão explorando novas percepções, consoantes e vogais, encontros consonantais, algumas regras ortográficas, pois sabem que as palavras nem sempre são escritas como soam.

Um caso interessante de uma criança de ciclo 5, foi com a escrita da palavra AÇAÍ, que ela escreveu com S, mas quando trouxe o alimento, viu na embalagem que estava escrito com Ç. A mesma perguntou por quê e começamos a apresentar algumas regras gramaticais e assim tornamos nossa sala de aula um ambiente alfabetizador e profundamente viabilizador de novos conhecimentos.

O papel do /a educador /a no processo de desenvolvimento das crianças, não apenas no letramento e alfabetização, é de quem investiga, investe, instiga, cria, apresenta, acolhe e avalia. Esse é um caminho cíclico, que tem em si uma postura ética e comprometida com a infância, desde os saberes simbólicos aos concretos, não atribuindo hierarquia entre eles. Assim, brincar de faz de conta e escrever um texto, devem ter o mesmo investimento e valor na infância.

Edital para reserva de professoras/es (encerrado)

ATUALIZAÇÃO – as inscrições para este edital foram encerradas
Olá pessoal,

Edital para cadastro de reserva para professoras/es edição 2018

Vivendo e Aprendendo está iniciando o processo de seleção para o quadro de professores (as) e professores-substitutos (as) para 2018.

A entrega da documentação para participação da seleção vai até o dia 15 de abril de 2018, às 23h59min e as condições estão estabelecidas no edital (link abaixo).

Pedimos a todos que divulguem e indiquem a potenciais interessados. Aos que participarão da seleção, desejamos sorte.

Edital para professoras/es cadastro de reserva 2018